terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Cap 5 Ascendentes de Joana cont. 1


Em construção permanente

Esta é a continuação do capítulo de mesmo número no endereço abaixo
domingosejoanita.blogspot.com

Cap 5 Continuação 1

Cap. José Pedro Vianna (1844 - 1894)

( A continuação deste capítulo é no link  abaixo)
(http://domingosejoanita02.blogspot.com.br/)

A Mortalidade nas hostes paraguaias foi enorme deixando inclusive um desequilíbrio demográfico no país (como  é ilustrado abaixo em foto do teatro de operações).


Cadáveres paraguaios após a Batalha de Boquerón, julho de 1866 
 (Bate & Co. W., albumen print, 11 x 18 cm, 1866; Museo Mitre, Buenos Aires).


O Paraguai sofreu grande redução em sua população. A guerra acentuou um desequilíbrio entre a quantidade de homens. Algumas fontes exageram citando que 75% da população paraguaia teria perecido ao final da Guerra. Estimativas contemporâneas, contudo, corrigem o percentual de perdas de vidas para 15% e 20% da população .
Dos cerca de 160 mil brasileiros que combateram na Guerra do Paraguai as melhores estimativas apontam cerca de 50 mil óbitos e outros mil inválidos. Outros ainda estimam que o número total de combatentes pode ter chegado a 400 mil, com sessenta mil mortos em combate ou por doenças.
As forças uruguaias contaram com quase 5.600 homens, dos quais pouco mais de 3.100 morreram durante a guerra devido às batalhas ou por doenças.
Já a Argentina perdeu cerca de 18 mil combatentes dentre os quase 30 mil envolvidos. Outros 12 mil civis morreram devido principalmente a doenças.
Fato é que a Guerra do Paraguai não se diferenciou dos demais conflitos ocorridos durante o século XIX. As altas taxas de mortalidade não foram decorrentes somente por conta dos encontros armados . Doenças decorrentes da má alimentação e péssimas condições de higiene parecem ter sido a causa da maior parte das mortes. Entre os brasileiros, pelo menos metade das mortes tiveram como causa doenças típicas de situações de guerra do século XIX. A principal causa mortis durante a guerra parece ter sido o cólera.
Cronologia da época de José Pedro Vianna
Cuidado com as guerras, pois os pais dos vencidos enterram seus mortos enquanto na Paz os filhos podem enterrar seus pais                             ( José Pedro Vianna)

1820

·       8/7: Emancipação de Sergipe da Bahia sendo nomeado capitão-mor Carlos César Burlamaqui (consolidação só ocorre em 1824 por D Pedro I).

1844

·        Nascimento de José Pedro Vianna em meio a crise no setor sucroalcoleiro em que seu avô e seu pai estão  se desfazendo de força de trabalho servil vendendo-os para cafeicultores do Rio de Janeiro e São Paulo.

1845

·       Expansão to Theatrinho Popular por Manoel José Vianna.

1847  


4/4: Nasce Anna Henriqueta, futura esposa de José Pedro Vianna.

20/11:  Anna Henriqueta, futura esposa de José Pedro Vianna, é batizada em Petrópolis

1855

·       17/3 Mudança da capital de Sergipe de São Cristóvão para Aracaju por Inácio Joaquim Barbosa.

1856

·       Criado o primeiro Corpo de Bombeiros do Brasil no Rio de Janeiro.

 

1861

·       Incidente de Manoel José Vianna e José Pedro Vianna com um cirurgião militar.

1865

1866

1867

1868

  • 5 e 6 de fevereiro José Pedro Vianna participa de reconhecimento de balão em Estero Rojas preparando o campo para passagem de Humaitá.
  • 7 a 18 de fevereiro José Pedro é hospitalizado
  • 9 de fevereiro: O marechal Luís Alves de Lima e Silva (futuro Duque de Caxias) é nomeado para o comando-geral dos exércitos da Tríplice Aliança.
  • 19 de fevereiro: Passagem de Humaitá (Guerra do Paraguai). José Pedro solicita autorização para engajar em combate
  • 20 de fevereiro a 16 de maio José Pedro Vianna é hospitalizado para recuperação de ferimentos em combate.
  • 18 de julho: A legislatura dos deputados da Câmara Federal é dissolvida por decreto.
  • 19 agosto José Pedro Vianna participa de expedição de Humaytá.
  • 6 de outubro a 7 de dezembro José Pedro é hospitalizado .
  • 9 de outubro: A primeira linha de bondes no país é inaugurada, ligando a rua Gonçalves Dias ao Largo do Machado no Rio de Janeiro.
  • 6 de dezembro: O marechal Caxias derrota os paraguaios na Batalha da Ponte de Itororó (Guerra do Paraguai).
  • 11 de dezembro: Batalha de Avaí (Guerra do Paraguai).
  • 19 de dezembro: Passagem de Humaitá.

1869

1870

1871

1872

1873

1874

1875

1876

1877

  • 25 de setembro: Fim da segunda Regência da Princesa Isabel.
  • 29 de novembro: A primeira estação telefônica do país é inaugurada no Rio de Janeiro, ligando o Palácio de São Cristóvão  ao comando do Corpo de Bombeiros no Centro da Cidade.

1878

  • Primeira linha interurbana do Braisl e uma das primeiras do mundo é criada interligando o Rio de Janeiro a Petrópolis
  • 6 de Abril lançada pelo caricaturista português Rafael Bordalo Pinheiro, a revista O Besouro no  Rio de Janeiro, em substituição ao periódico Psit!!! em que abolicionistas como José do patrocínio colaboram.
20 de julho: A revista O Besouro publica as primeiras fotos da imprensa brasileira.




1879

.  11 de setembro José Pedro Vianna ( 35)  se casa Com Anna Henriqueta  Linden Raming (32) em Piraí cf Reg SJ Baptista do Arrozal L2 fls n60 e 60v. Ele filho de Manuel José Vianna e  Joanna Baptista de Jesus e ela filha de João Henrique Raming e Marianna Linden

1880

1881

 

1882

  • x: Nasce Anna Raming filha de José edro e Anna Henriqueta

1883

1884

  • 14 de janeiro: Nasce a  filha de José Pedro e Anna Henriqueta- Joanna.
  • 25 de março: O Ceará é o primeiro estado brasileiro a abolir a escravatura.
  • 10 de julho: Abolição dos escravos na província do Amazonas.
  • 7 de setembro: escravos são libertados em Porto Alegre (Rio Grande do Sul).

1885

  • 7 de julho: Nasce José Henrique, filho de José Pedro e Anna Henriqueta

1886

1887

  • 24 de junho: José Henrique, Filho de José Pedro e Anna Henriqueta é batizado na Ig S Benedito Barra do Pirai sendo padrinhos descendentes do Visconde de Itaboraí
  • x: Nasce Rita Clara filhade José Pedro e Anna Henriqueta.
  • 26 de junho: O Clube Militar é fundado no Rio de Janeiro.
  • 30 de junho: Início da terceira Regência da Princesa Isabel.
  • 20 de outubro: As terras indígenas das aldeias extintas são transferidas ao domínio das províncias.

1888






1894

  • 23 de julho falece José Pedro Vianna à Rua Senador Nabuco,93, ás 4 horas com 50 anos de idade. sendo enterrado no Cmeitério S Fco Xavier,Registro Civil da 11a Pretoria Engenho Velho., nr 943 lv de ob.  





Não é coincidência que o brasão de Sergipe tenha um balão, tanto no imaginário, quanto na história, seus cidadãos sempre tiveram interesse nesta tecnologia.  A Lei nº 02, de 5 de julho de 1892 instituiu o Brasão de Armas de Sergipe. Sua simbologia está representada pelo índio Serigi embarcando em um balão; em seu centro a palavra PORVIR - o futuro. Abaixo do cesto do balão a legenda Sub Lege Libertas - Sob a Lei a Liberdade. Encerrando a faixa a data da primeira Constituição do Estado - 18 de maio de 1892. O índio representa o passado e o balão o futuro e a civilização. O professor Brício Cardoso, amigo da família Vianna e conhecedor do pioneirismo de José Pedro no uso de balões em combate, foi autor do projeto de criação do selo do Estado, tendo considerado o índio – sendo Serigy ou Sergipe – abraçando a civilização, simbolizada pelo aerostato, do brasileiro Bartolomeu de Gusmão. Um de seus filhos, José Pedro Vianna capitão da Guarda Nacional, foi pioneiro no uso de balões para reconhecimento de terreno na guerra do Paraguay. Este  brasão veio a substituir o brasão colonial abaixo. (Em escudo redondo português de Gules, um sol dourado com uma face humana no seu centro representando o sol)





Área de ocupação humana antiga, os primeiros indícios da ocupação do território que hoje corresponde ao estado de Sergipe são datados no mínimo de 9.000 a.C. A análise dos achados arqueológicos desses povos, como arte rupestre, ossos, cerâmicas e outros artefatos, permitiu aos historiadores classificá-los em três culturas ou tradições: canindé, aratu e tupi-guarani. Estes indígenas, eram alguns dos mais avançados cultural e tecnologicamente do território da colônia portuguesa, foram também alguns dos primeiros a serem catequizados e se aliarem a eles no combate a  Confederação dos Tamoios e participarem das primeiras uniões interraciais no país.
Um marco arquitetônico desta região é a Casa da Torre – Castelo de Garcia D’Ávila  na Bahia– que por sinal é o único castelo de estilo medieval da América Latina  é considerada também a primeira grande edificação portuguesa no Brasil.  Sua construção foi iniciada em 1551 pelo latifundiário Garcia D’Ávila (considerado um dos maiores latifundiários que já existiu no mundo, tendo como área de propriedade total avaliada em mais de 800.000 Km. Foi concluída no ano de 1624 por seu neto, chamado Francisco Dias D’Ávila. Está localizada no alto de um morro, com posição estratégica voltada para o mar da Praia do Forte, servindo como uma casa-fortaleza e também como farol, auxiliando embarcações que chegavam na costa. A partir desta fortificação Garcia D’Ávila teve importante papel na conquista e colonização de Sergipe, deflagrando a chamada Conquista de Sergipe em  1590, apoiado por Tomé de Souza e por parte de um regimento de Portugal com ordem de D. João III. Expandiu a criação de gado no território sergipano, facilitando a partir da Casa da Torre que as missões jesuíticas partissem para catequizar os índios.  Cristóvão de Barros, filho de Antonio Cardoso de Barros, que foi devorado pelos índios caetés juntamente com o bispo Pero Fernandes Sardinha, nas terras do hoje Estado de Sergipe. Em 1566, este  fidalgo é enviado pelo rei D. Sebastião, chegando a Salvador como comandante de uma armada composta por três galeões (navios a vela armados para transporte de cargas de alto valor). No início do ano seguinte, janeiro de 1567, atua com o governador geral Mem de Sá, na defesa  da Capitania da investida dos franceses, auxiliados por seus aliados, os índios Tamoio. Em 1568 com o governador do Rio de Janeiro, Salvador Correia de Sá, em Cabo Frio, faz guerra aos Tamoio. Entre 1574 e 1575, Cristóvão de Barros realiza “entrada” (expedição oficial) contra os Tamoio; escravizando, e depois vendendo, cerca de 10.000 (dez mil) índios feitos prisioneiros na empresa. Na década seguinte (1587) Cristóvão de Barros repele os corsários ingleses Robert Withrington e Cristhopher Lister na tentativa de invadir Salvador.
Seu maior feito militar foi a Conquista de Sergipe, 1589-1590 enquanto membro da Junta Governativa do Brasil, com sede na Bahia, entre 1587 e 1591, com o Ouvidor Geral Martim Leitão e o Bispo D. Antônio Barreiros. O comandante, partindo de Salvador, apoiando-se no suporte estratégico da Casa da Torre, dizimou e escravizou milhares de índios à frente de uma considerável artilharia e infantaria na “Guerra de Sergipe”. Fundou São Cristóvão, em Sergipe. Mais tarde, recebendo instruções do reino, criou a Capitania de Sergipe Del Rei.

No quadriênio 1571 a 1575, Cristóvão de Barros assumiu o governo da Capitania do Rio de Janeiro, realizando feitos significativos. Ainda como administrador personagem exerceu a função de Provedor Geral do Brasil, algo como um atual superintendente da Receita Federal, em 1578, fazendo correição na Capitania de Pernambuco, isto é, fiscalizando as finanças régias. Duas décadas depois, após a Conquista de Sergipe (1590), foi Capitão-Mor, senhor de engenho na Bahia e Rio de Janeiro. Possuidor de extensas sesmarias em Magé e construtor do 1º engenho do município, nas proximidades do Rio Magepe e próximo ao Morro da Piedade, fez surgir ai o desenvolvimento de uma nova civilização, vindo a ser o fundador e mantenedor da integridade do núcleo populacional da futura Magé, com a expulsão, escravidão e o extermínio da população indígena local. Foi também filantropo como Provedor da Santa Casa de Misericórdia da Bahia em em 1587 a  1588.
Durante um período compreendido entre 1630 e 1654, grande parte da atual região Nordeste da região conquistado aos portugueses pelos holandeses e abrangeu sete das dezenove capitanias do Brasil à época. Com a União Ibérica, em que Portugal passou a fazer da parte do Reino Espanhol, a Holanda, que então lutava contra o domínio espanhol resolveu atacar os domínios e como à Companhia Privilegiada das Índias Ocidentais (em holandês: Geoctroyerde Westindiche Compagnie ou GWC) tinham o privilégio da exploração colonial. 



Esta Companhia ficou encarregada de explorar a Colônia, neste período certamente a bandeira da Companhia tremulava nas colônias nordestinas. A bandeira contava com as letras iniciais da Companhia em preto, sobre a bandeira da República Holandesa, conforme demonstram diversas cartas da época. Com a expulsão dos holandeses a região ficou devastada.


Acima se vê a Bandeira da Conjuração Baiana também denominada como Revolta dos Alfaiates (uma vez que seus líderes exerciam este ofício e em cujos planos encontrava-se o da erradicação da escravidão) e recentemente também chamada de Revolta dos Búzios. As cores da bandeira do movimento (azul, branca e vermelha) são até hoje as cores da Bahia. O ano de 1798 testemunhou a Conjuração Baiana, que propunha a formação da República Bahiense, que incluia também Sergipe no território provincial à época - movimento pouco difundido, mas com repressão superior àquela da Inconfidência Mineira: seus líderes eram negros instruídos (os alfaiates João de Deus Nascimento, Manuel Faustino dos Santos Lira e os soldados Lucas Dantas do Amorim Torres e Luís Gonzaga das Virgens) associados a uma elite liberal (Cipriano Barata, Moniz Barreto, Aguilar Pantoja, membros da Casa da Torre e outros aristocratas), mas só os populares foram executados, mais precisamente no Largo da Piedade a 8 de novembro de 1799.


Sergipe emancipou-se politicamente da Bahia em 8 de julho de 1820. A então capitania de Sergipe del-Rei viria a ser elevada à categoria de província quatro anos depois. Neste ambiente sócio econômico que Manoel José Vianna se instala no país. Finalmente, Sergipe é proclamado estado após a proclamação da República em 1889.
            

A atual Bandeira do Estado de Sergipe.  
As estrelas simbolizam seus cinco principais rios: 
Serjipe, Vaza-Barris, São Francisco, Poxim e Cotinguiba.


Nota sobre a invenção do balão por um brasileiro e seu uso pioneiro por um sergipano
Bartolomeu Lourenço de Gusmão (1685-1724) foi um sacerdote e inventor brasileiro. Entre suas experiências estava o primeiro balão construído no mundo. Na sala dos diplomatas, no Palácio Real, sua invenção foi apresentada ao Rei de Portugal, D. João V, a fidalgos e funcionários da corte, dizendo ser capaz de guiá-lo e transportar pessoas, munições e víveres. Ficou conhecido como "O padre voador"  Bartolomeu de Gusmão (1685-1724) nasceu em Santos, São Paulo. Era filho do cirurgião-mor Francisco Lourenço Rodrigues e Maria Álvares. O casal teve doze filhos e oito entraram para vida religiosa. Era irmão do famoso estadista e diplomata Alexandre de Gusmão. Estudou no Seminário Jesuíta de Belém da Cachoeira, na Bahia, cujo diretor era o protetor de Bartolomeu e de Alexandre e de quem adotaram o sobrenome Gusmão. Ordenou-se padre e em 1701 vai para Lisboa onde estudou Direito Canônico na Universidade de Coimbra e ordena-se Sacerdote. Inicia a construção de seu balão. Em abril de 1709 pede licença a D João V, para fazer experiências com o balão, no Palácio Real. Na sala dos diplomatas, D. João V, fidalgos e funcionários aguardam a apresentação da experiência antes anunciada, "Um instrumento para andar no ar". De um canto da sala, um pequeno balão de papel, em forma de pirâmide e com armação de arame, tendo fogo no seu interior, sobe quatro metros. Era o primeiro aeróstato construído no mundo. Ficou conhecido como o "Padre Voador". Bartolomeu de Gusmão foi perseguido pela Inquisição por ser amigo de judeus. Fugiu para a Holanda, onde fez experiências com lentes. Seguiu para a França, onde vendia nas ruas, remédios fabricados por ele. Com espírito inquieto, estava sempre inventando alguma coisa. Formado em Direito, teve atuação nos tribunais, foi membro da Academia Real de História, cumpriu missões diplomáticas com o apoio do rei D. João V. Em 1711, Bartolomeu de Gusmão viajou para Roma, numa visita diplomática; no seu retorno foi nomeado, Secretário dos Estrangeiros. Bartolomeu de Gusmão sofreu zombaria dos fidalgos e inquisidores,
que viam nas suas invenções obra de feitiçaria. Fugiu novamente, no caminho de Toledo, seguindo para a Espanha, foi acometido por uma febre e morre no dia 18 de novembro de 1724. Sua inventividade teve grande influência no espírito inovador de José Pedro Vianna que via nos ares o futuro da guerra e participou do uso pioneiro de balões no Brasil durante a Guerra do Paraguai, sob as ordens de Caxias.



Uniforme de gala da Guarda Nacional do Império
cujas partes foram guardadas na família por décadas.




As batalhas que deram a ordem da Rosa a José Pedro Vianna

24/5
1ª Batalha de Tuiuti

Batalha de Tuiuti:
Pintura de Cándido López.

A 1ª Batalha de Tuiuti travou-se a 24 de maio de 1866 nos pântanos circundantes do lago Tuiuti, em território do Paraguai,1 tendo envolvido mais de 50.000 homens de ambos os lados.2
É considerada pelos historiadores militares como uma das mais importantes batalhas da Guerra da Tríplice Aliança (1864-1870), a maior e mais sangrenta travada na história da América do Sul, tendo confrontado efetivos do Exército paraguaio e forças da Tríplice Aliança.
Após as batalhas do Passo da Pátria e do Estero Bellaco (2 de maio), as forças aliadas, sob o comando do argentino Bartolomeu Mitre avançavam cautelosamente em território inimigo, desconhecido, uma vez que não havia mapas confiáveis sobre o terreno. Do mesmo modo, não se dispunham de informações sobre os efetivos e a disposição das forças inimigas.
A cautela de Mitre conflitava com as diposições dos comandantes das forças brasileiras, que pugnavam por maior rapidez no avanço, compreendendo que a lentidão era danosa ao moral dos soldados, e comprometedora ao prestígio que as tropas em marcha tinham perante o inimigo.
De acordo com o testemunho de George Thompson, um inglês que lutou como oficial no Exército paraguaio, Solano López confiava em que, nesse momento, uma esmagadora vitória pudesse empurrar o inimigo de volta ao rio Paraná, decidindo a guerra a seu favor. Os seus oficiais, ao contrário, pareciam céticos quanto à possibilidade de bater um inimigo mais numeroso, em um terreno mais adequado à defesa, uma vez que os aliados acamparam nos pântanos ao redor do lago Tuiuti. Sem levar essas ponderações em conta, López reuniu o maior contingente de tropas que conseguiu, aprontando-o para o ataque.
Detalhe  Batalha de Tuiuti,Infantaria em ação
A batalha iniciou-se por volta das 11 horas, estendendo-se por seis horas1 . O efetivo paraguaio atacou, distribuído em três colunas: a do centro, com um pouco mais de cinco mil homens, lançou-se sobre a vanguarda aliada, composta por três batalhões uruguaios e mais unidades de reforço brasileiras. As alas, cada uma com cerca de nove mil homens, tentaram realizar uma manobra de cerco sobre o Exército Imperial brasileiro (à esquerda) e o Exército Argentino (à direita) nos flancos do acampamento aliado.
Para os aliados houve surpresa, confusão, ausência do comandante em chefe (General Mitre), imprevidência; risco de derrota em vários momentos da luta. Porém, com o recrudescer dos combates e a iniciativa dos diversos escalões (companhias, batalhões, regimentos e brigadas) — aos poucos a batalha adquire personalidade própria e se transforma de quase derrota em expressiva vitória, na medida em que se agiganta a figura do General Osório, intervindo diretamente na luta. Na verdade, ele assumiu o comando-chefe da batalha do Tuiutí; é seu chefe máximo.
A estratégia paraguaia foi bastante efetiva no innício do conflito. Os cerca de 24 mil soldados, comandados pelos coronéis Marcó, Rojas, Días e Barrios, atacaram, primeiro, as forças uruguaias comandadas por Venâncio Flores, o presidente do país. Foram dizimados três batalhões uruguaios. Logo depois, foi a vez dos Argentinos, chefiados pelo general Bartolomeu Mitre.
Porém, na vez dos brasileiros, comandados pelo general Francês Emílio Luís Mallet, a poderosa cavalaria cabocla chegou a ficar a 50 metros das tropas brasileiras, mas diante deles havia um fosso, que o general mandara cavar, e o fogo da artilharia dizimou os cavaleiros, que ainda tentaram uma carga desesperada contra as forças imperiais, mas acabaram sendo rechaçadas.
As intenções de Lopez eram de cortar o exército aliado ao meio, usando a cavalaria cabocla, mas suas intenções foram frustradas pela artilharia brasileira, comandada pelo general Mallet.
Segundo relato do alferes (e futuro general) brasileiro Dionísio Cerqueira:
Os batalhões avançavam; a artilharia rugia rápida, a revolver; era um contínuo trovejar. Parecia uma tempestade. Cornetas tocavam a carga; lanças se enristavam, cruzavam-se baionetas, rasgavam-se os corpos sadios dos heróis; espadas brandidas a duas mãos, como os montantes nos pares de Carlos Magno, abriam crânios, cortavam braços, decepavam cabeças.
É um bom retrato da violência, desespero e selvageria que foi Batalha de Tuiuti. O alferes também registrou a célebre fala de um soldado sertanejo: "Saiba, vossa senhoria, sô alferes, que o mato está se avermelhando de caboclos" ao alertar o oficial da aproximação da cavalaria paraguaia, cujo uniforme era vermelho.
Consequências

Batalha de Tuiuti: detalhe do quadro de Cândido López.
A batalha culminou com uma expressiva vitória dos aliados. As avaliações sobre as perdas variam de fonte para fonte, mas todas são acordes e enfáticas em apresentar Tuiuti como um túmulo para o Exército paraguaio. As suas perdas estimadas foram de seis mil homens, entre oficiais e soldados; os feridos e capturados ascenderam a mais seis mil homens. Algumas unidades, como o 40° Batalhão de Infantaria, foram aniquiladas.
Entre os aliados, as perdas estimadas ultrapassaram os quatro mil homens. No Exército brasileiro contavam-se entre 719 e 736 mortos, além de 2.292 feridos. Entre os mortos encontrava-se o general Antônio de Sampaio, comandante da 3a. Divisão de Infantaria. As baixas no Exército Argentino elevaram-se a 126 mortos e 480 feridos. As do Uruguai, a 133 mortos e 299 feridos.
Soldados uruguaios entrincheirados durante a batalha de Tuiuti.

Embora diante dessa verdadeira tragédia, ao final da batalha os aliados ainda possuíam uma força de combate, ao contrário de López que, dali por diante, nunca mais conseguiu reunir uma força daquela magnitude para combater.
Com a vitória, as tropas aliadas ficaram firmemente estabelecidas em território inimigo.
Desde então sem condições humanas para se bater em campo aberto, a Solano López restava resistir entrincheirado nas fortificações — Fortaleza de Curupaiti e Fortaleza de Humaitá —, com a esperança de poder desgastar as forças inimigas.
Nas quatro primeiras décadas depois da Guerra do Paraguai, a Batalha de Tuiuti foi a principal comemoração militar brasileira, considerada a mais importante da campanha, era rememorada também por ser reconhecida como a mais sangrenta das batalhas travadas na América do Sul. nas comemorações, destacava-se como principal herói o general Manuel Luís Osório, comandante das forças brasileiras agraciado por D. Pedro II com o título de Marquês de Herval, pelos feitos na campanha.3







3/9
A Batalha de Curuzu aconteceu entre e 3 de setembro de 1866, no contexto da Guerra do Paraguai.
Após a primeira batalha de Tuiuti, vencida pelos aliados em 24 de Maio de 1866, o comandante Mitre aproveitou as reservas de dez mil homens trazidos pelo barão de Porto Alegre e decidiu atacar as baterias do forte de Curuzu e do Forte de Curupaiti, que guarneciam a direita da posição de Humaitá, às margens do rio Paraguai. No dia 1° de setembro, as 7:30 da manhã a esquadra brasileira, com os encouraçados Bahia, Barroso, Lima Barros, Rio de Janeiro e Tamandaré na vanguarda, frente ao forte de Curuzu, mais a canhoeira Magé, frente à ilha do Palmar, junto com os navios de madeira Greenhalgh, Beberibe, Belmonte, Araguari, Ipiranga, Parnaíba e Ivaí. O tiroteio entre o forte e os navios durou 4 horas. Enquanto isso os navios de madeira desembarcavam 800 soldados no chaco, para destruírem a base de onde os paraguaios disparavam brulotes e torpedos contra os navios brasileiros. Com o cair da noite o bombardeiro foi suspenso. No dia seguinte, as 14 horas, o couraçado Rio de Janeiro foi antigido por torpedos na proa e popa, indo a pique, junto com seu comandante Américo Brasílio Silvado e mais de 50 combatentes. Uma hora depois o Barão de Porto Alegre, havia já desembarcado e reunido mais de 8000 homens, entre infantes, cavalarianos, artilheiros e pontoneiros na Guardia del Palmar. Apesar de ter encontrado resistência, conseguiu repelir o inimigo e preparar para o dia seguinte o ataque terrestre. Em 3 de setembro, o forte, comandado pelo coronel Jimenez, foi atacado. Os defensores contavam com a vantagem das terras pantanosas e espeinheiros ao redor do forte. O forte após preparação pela artilharia, foi conquistado, os paraguaios perseguidos até a proximidade de Curupaiti.



22/9  Curupaity (derrota aliada)

                                       Soldados paraguaios em Curupaiti atirando de uma trincheira contra as tropas aliadas.

Animado pela queda do Forte de Curuzú, o 2º Corpo do Exército brasileiro, sob o comando do General Guilherme Xavier de Sousa, voltou-se para o o entrincheiramento de Curupaiti que, como o primeiro, também se constituía numa defesa avançada da Fortaleza de Humaitá. Durante os combates por Curuzú e negociações diplomáticas posteriores, Curupaiti teve as suas defesas reforçadas com um entrincheiramento de cerca de dois quilômetros de extensão, complementado por um fosso de dois metros de profundidade por quatro de largura. A terra retirada do fosso foi apiloada em parapeitos defensivos de dois metros de altura, atrás dos quais se distribuíam noventa canhões, cobrindo o lado do rio e o lado de terra, bem como cinco mil soldados paraguaios. Essa defesa sustentou e rechaçou com sucesso, em 22 de setembro de 1866, o ataque combinado da esquadra comandada pelo vice-almirante Joaquim Marques Lisboa e da infantaria do 2º Corpo do Exército brasileiro, reforçada com tropas argentinas. O bombardeio da artilharia da Esquadra Imperial mostrou-se incapaz para neutralizar a do entrincheiramento, protegida vários metros acima das margens do rio, enquanto que a infantaria se viu retardada pelo terreno alagado pelas fortes chuvas da estação, onde se ocultavam abatizes, o que a tornou presa fácil do fogo da artilharia inimiga, resultando na perda de quase quatro mil atacantes aliados contra 250 defensores paraguaios. Esse desastre aliado em Curupaiti, imobilizou a campanha, e teve importantes repercussões sobre os seus rumos. O general Venancio Flores retirou-se para Montevidéu após a derrota, e as forças argentinas passam a ter uma participação menor. A partir de Curupaiti, coube sobretudo ao Império do Brasil continuar a luta do lado aliado, com pequena participação argentina e apenas simbólica de forças Uruguaias. A derrota também causou repercussões na opinião pública brasileira, o que levou à nomeação do marechal-de-campo Luís Alves de Lima e Silva (1803-1880), então Marquês de Caxias, como comandante-em-chefe do Exército brasileiro no Paraguai (10 de Outubro de 1866). Caxias adotou uma estratégia de cerco, isolando o entrincheiramento. Isso levou à sua evacuação pelos paraguaios e permitiu aos aliados ocupar a posição. Após dois anos impedindo o progresso das forças aliadas, estas, finalmente, entraram no entrincheiramento no dia 23 de Março de 1868.




Curupaity
Nas Notas Históricas de A Quintella e nas ”Memórias de Família” há relatos feitos por Joanna Raming Vianna Meirelles  baseados em cadernos de anotações de José Pedro Vianna  dos tempos da Guerra de Paraguai. Fragmentos destes relatos são transcritos em seguida.  José Pedro foi condecorado com a Ordem da Rosa por bravura na  prestação de serviços militares nos combates de 24/5/1866 (Tuiuty),  3 de setembro (Curuzu) e 22 de setembro (Curupaity).  Com seu hábito de manter  caderno de campo com sketches de mapas, imagens de cenas de guerra e  observações deixou algumas recordações raras e impressões pessoais do teatro de operações.   

...Curupaity foi um desastre de proporções épicas. As baixas foram assombrosamente avultadas. Quiçá exagerado otimismo               no comando tenha sido um agente causador? Porventura menoscabar o poder defensivo do inimigo  tenha suscitado a precipitação no ataque? Seja o que for erramos rotundamente....      
...O comando do exército tinha uma  visão equivocada do entrincheiramento das forças paraguaias. Mesmo assim, contra as ponderações de diversos membros da Guarda Nacional, os infantes foram lançados leva por leva numa missão suicida contra um verdadeiro reposteiro horizontal de  fogo...
... o inimigo conhecia melhor o terreno e porque estava entrincheirado no campo parecia uma máquina de moer e assar brasileiros...  Foi o que disse um dos combatentes.
... Houve um momento de grande perigo para as forças aliadas. O moral estava baixo. Havia boatos de que os argentinos ansiavam apenas por liquidar com os poucos negros que tinham, pondo-os na linha de frente, para deixar o combate... 
... Do nosso lado sub-oficiais e membros da Guarda comçavam a reclamar de qlguns abusos e maus tratos. Havia uma crônica  falta de suporte no teatro de operações...  Afortunadamente o inimigo estava ainda em piores condições...
Uma noite ouvi das sombras uma reclamação anônima de uma praça que:
“ ..no dia seguinte não ia saber para onde atirar, porque a força aliada estava tão cheia de filhos da puta quanto a foca de Lopez”...
Manter o moral da tropa foi difícil...
Depois de cada investida viam-se batalhões inteiros aniquilados. Na assuada a soldadesca já nem sabia os nomes de seus camaradas mais próximos de tão imundos de sangue e lama. Momentos havia que não se sabia se o sangue que espirrava era do próprio corpo ou do combatente ao lado. A saraivada rasante rugia precedida por uma trovoada de salvas de obus que rasgavam as costas , o ventre e muito freqüentemente os braços dos homens.
As baixas foram tão elevadas que isto foi ocultado por muito tempo. Já havia muitos hospitalizados na retaguarda com  ferimentos,  pneumonia, febres, diarréias , pé de trincheira. Com a chegada dos de Curupaity as enfermarias e hospitais de campanha ficaram saturados.
Várias unidades a que pertenci tinham sido extintas e  só alguns poucos de nós haviam escapado com vida. Por isso  gozávamos da fama de bravos bafejados pela sorte.  Mas as cicatrizes da refrega, o ódio ao inimigo e a suspeição contra o oficialato por parte dos da Guarda nacional ficaram profundamente enraizados.





Capítulo 5 Ascendentes de Joanna – seção 5.3 - O pós Guerra

Desmobilização de exércitos é sempre uma tarefa difícil. A desmobilização militar pós Guerra do Paraguay passou por vários problemas, desde o tratamento aos amputados, a solução para os Voluntários da Pátria e os conflitos e tensões entre a nobreza e militares em geral.

Muitos voluntários assumiram postos no governo conforme suas aptidões e ambições. José Pedro Vianna não foi exceção. Tendo em vista seu desempenho exemplar na Guerra ele foi rapidamente incorporado ao Corpo de Bombeiros, que na época era operado pelos militares.

Nos primeiros anos após a guerra José Pedro Vianna ainda encontrou algum tempo para viajar e se recuperar dos traumas de combate. Recursos não lhe faltavam haja vista que não se apressou em se recolocar. Assim encontramos seu nome em várias listas de passageiros algumas das quais reproduzimos em seguida.
1)      Lista de passageiros do vapor Alemão Buenos Ayres (março 1874)

2)      Lista de passageiros do Vapor Ingles Halley na Rota Liverpool  Rio.

Mas seu espírito  impetuoso e inquieto o impelia para desafios que permitissem usar sua bravura e liderança em benefício da sociedade.  Já em 1874 aos trinta anos encontra-se em atividade no Corpo de Bombeiros de forma destacada como atestam diversas manifestações da população na imprensa.  Moradores da Rua D Feliciana publicam no Diario do Rio de Janeiro agradecimento a sua ação no combate ao incêndio da madrugada do dia 4 de novembro de 1874, idem no incêndio da R S Pedro na Cidade Nova em 17 de dezembro de 1875, entre outras manisfestações . Sua busca de reconhecimento público se parece muito com aquelas adotadas um século  a frente por executivos de multinacionais. Caracterizadas por trabalho em equipe, treinamento, avaliação de desempenho, premiação estratégica, comunicação de reconhecimento. Sua atividade cidadã expressou-se nesta época quando assumiu o cargo de tesoureiro na Sociedade Beneficente 14 de março.


















  


O Corpo de Bombeiros que como Força Auxiliar e Reserva do Exército Brasileiro,  integra desde 2 de julho de 1856  o Sistema de Segurança Pública e Defesa Social do Brasil foi por isso mesmo em suas primeiras décadas  integrado exclusivamente por militares.  Pois o Decreto Imperial nº 1.775, assinado por sua Majestade o Imperador Dom Pedro II  reuniu numa só Administração as diversas Seções que até então existiam para o Serviço de Extinção de Incêndios, nos Arsenais de Marinha e Guerra, Repartição de Obras Públicas e Casa de Correção, sob a jurisdição do Ministério da Justiça.
Especialmente após a Guerra do Paraguay militares que se distinguiram em combate foram alocados nos bombeiros . Desta forma e por este motivo José Pedro Vianna foi servir mais uma vez à Nação e ao Império, desta vez no Corpo de Bombeiros. Sua motivação,  seu senso de dever e espírito de liderança eram enormes como sempre. Ainda jovem e cheio de idéias inovadoras, algumas das quais tecnológicas e testadas na Guerra do Paraguay)  com cerca de 27 anos ele assume atividades numa corporação também jovem (fundada em 1856) aberta a experimentar novas soluções.

Crises Na vida
A condição de elemento de governo agravou o conteúdo político de problemas internos à organização militar cuja caracterização oscilava entre o disciplinar e o político. Em relação a isso, o marco fundamental não é o 15 de novembro, mas o conjunto de episódios que, na década de 1880,
opuseram segmentos da Forças Armadas ao Estado imperial e que ficaram conhecidos como Questão Militar. Um dos problemas então levantados era o direito de se manifestar pela imprensa, que militares reivindicavam. Consultado, o Conselho Supremo Militar e de Justiça, órgão encarregado de zelar pela observância dos códigos disciplinares, lhes deu ganho de causa. i
Não é de estranhar, portanto, que os primeiros momentos da presença das Forças Armadas no governo republicano ficassem caracterizados pelo impacto da função política sobre as normas disciplinares da organização, por sinal baixadas em remotas épocas do Império. Números de 1886 davam conta de um Exército constituído de 13.500 homens, ao mesmo tempo em que registravam 7.526 prisões por indisciplina.ii Para julgar os militares, vigiam códigos portugueses seculares.
Observe-se que houve, ainda sob a monarquia, quem considerasse esses diplomas legais inadequados e os discutisse na Assembléia Geral, mas, “quando o Império caiu, ainda não possuíam as Forças Armadas as leis penais atualizadas.” Um oficial que participou diretamente do golpe republicano identificou no funcionamento da justiça castrense um dos mais fortes fatores de desgaste nas relações entre os militares e o Estado imperial:
(...) a justiça militar, cujos processos devem ser simples, claros e retos, era entregue aos sofismas e ajeitamentos de uma hermenêutica sutil e às exigências de um nepotismo impudente, originando-se aí o abatimento do espírito militar que assistia sobressaltado a controvérsias incabidas e a aplicações especiosas das leis
( Fonte: JUSTIÇA MILITAR E ORDEM REPUBLICANA NO BRASIL: DA LINHA DE
COMANDO À DEFESA DO ESTADO (1889-1895)
Renato Lemos Universidade Federal do Rio de Janeiro Laboratório de Estudos sobre os Militares na Política (LEMP))


A vida de José Pedro Vianna após a Guerra do Paraguay em virtude de sua passagem pelo Corpo de Bombeiros é afetada diretamente por essa crise de reivindicação de liberdade de expressão dos militares na imprensa. Vindo de uma família que se dedicou a Política e aos Negócios por isso mesmo já tinha o hábito de valorizar o papel da imprensa na sociedade. Ao assumir as atividades na corporação dos bombeiros, procurou atuar na sustentação da imagem da mesma por uma ação pioneira de relações públicas junto à população e à imprensa. A visibilidade resultante desta ação, baseada e fundamentada em uma competente nas ações de prontidão e responsividade no combate ao fogo visando salvaguardar vidas e patrimônios, por um lado resultou em reconhecimento público e de organizações de seguro, por outro lado despertou inveja e ataques de autoridades das sombras.

Tanto seus superiores que foram beneficiados por sua ação criativa de relações públicas como  ele mesmo e vários de seus colaboradores foram sendo alvo de campanhas internas de sapa ao governo.  Por fim estas forças, temerosas do prestígio pessoal adquirido com o sucesso do trabalho dos bombeiros e da repercussão crescentemente positiva junto à população e a setores importantes da Corte, dos empresários nacionais e estrangeiros,  venceram á socapa demitindo sorrateiramente os superiores que apoiavam esta liberdade de expressão, bem como seus agentes  principais como líderes, formadores de opinião e influenciadores chave. Inicialmente preservado nesta ação destrutiva, por sua atividade em sociedades filantrópicas e previdenciárias  dos bombeiros, José Pedro acaba por sentir-se isolado e por fim é exonerado após uma brilhante passagem pela corporação.
Após uma vida no serviço público atuou já enfermo em atividades de jurado junto à Justiça republicana.

Pg3






Legado cultural de José Pedro Vianna – O poder do indívíduo
            
Uma das memórias que encontrei escritas por meu pai (Antonio Ferreira da Silva Quintella) me impressionou pela admiração e esforço de preservação da memória do avô  de minha mãe. Nos fragmentos ele explica a convergência de interesses de ambos pela civilização romana. Meu pai por ter ficado órfão de sua mãe Corina com 5 anos (17.10.1908) e de seu pai Ary aos 14 (13.04.1917) foi encaminhado por seus tios para o colégio São Luís e logo para  noviciado em seminário Jesuíta em Itu. Lá ele se destacou em proficiência no conhecimento de  latim, grego e aramaico. Como latinista, é claro, estudou profundamente a história de Roma e isto  o aproximou de José Pedro Vianna, que era freqüentemente citado pela família Meirelles como admirador de Roma. Certamente o sentimento de orfandade presente em meu pai, que permeou vários ramos da família, em virtude das diversas mortes prematuras que ocorriam no século XIX e início do século XX, foram a motivação oculta na sua psique em promover o culto aos ancestrais entre seus filhos. Além disto a semelhança encontrada por meu pai entre os preceitos da Guarda e dos exercícios espirituais de Santo Inácio conjugados com a Ratio Studiorum foraa mais um motivo de seu interesse pelas idéias de José Pedro.
O ideal da valorização do indivíduo e da disciplina encontrados na cultura romana se alinhavam com a visão jesuítica do mundo de meu pai. Recolhi estes apontamentos sobre os pontos de acordo entre o pensamento de ambos, meu pai e meu bisavô materno e dei uma forma estruturada a eles. Creio que isto será um fonte de ensinamento importante para os jovens em formação, especialmente para os seus descendentes.



                                     
Acima - Uma aquila num vexillóide romano e o brasão adotado por José Pedro após a queda do Império como uma forma de externar sua lealdade ao Imperador Pedro II.

O símbolo da águia romana foi importante para os Vianna porque era também  o símbolo no brasão que a família decidiu adotar mesmo sem título de nobreza reconhecido.  Além do treinamento segundo as regras  do Manual da Guarda Nacional do Segundo  Império José Pedro mencionava textos de sua preferência do treinamento e práticas de excelência do exército romano. As virtudes das águias e sua importância no imaginário das culturas era sempre recordado em família.
                           


Por isso José Pedro perseguia o ideal do primus pillus. Este  era o principal centurião da legião. Só conseguiam este cargo os que demonstrassem virtudes militares na batalha e habilidade nas intrigas políticas de retaguarda. Como o primus pillus José Pedro possuía o valor, a determinação, um grande talento organizador equilibrado por um caráter compassivo. Por  isso tudo, como um verdadeiro centurião ele era respeitado e temido, mas também querido.  Assim diferia dos seus homólogos romanos por ter conseguido ser apreciado por muitos de seus comandados e ser eleito por eles para comandos.

Nas diversas ocasiões em que esteve apenas nos acampamentos de retaguarda ele demonstrou ser profissional até a medula, o que despertava admiração em meu pai e em vários outros membros da família. Isto era claramente um modelamento pessoal do espírito e da letra do praefectus castrorum.  Um dos legados culturais deixados por José Pedro e resgatado pelo talento de meu pai em identificar bons exemplos a serem seguidos foi o resgate da rotina diária romana, usada por alguns oficiais da Guarda Nacional ora adaptada para os tempos modernos e exibida mais adiante.

Homo Faber 
suae quisque Fortunae

                                  Tradução: O Homem é o artífice de seu destino




Um conto de José Pedro Vianna  sobre a Guerra do Paraguai –
 O repouso do guerreiro são mulheres e bebida
Uma característica de líder bem conhecida na família de José Pedro Vianna foi a sua interação com  o exército de mulheres que acompanhava tanto os brasileiros como os paraguaios. Havia de tudo:  Esposas, prostitutas, companheiras, mães, vivandeiras e andarilhas que seguiam a tropa. Diferentemente das paraguaias que eram de dois tipos as residentas (condenadas por serem parentes de réus políticos ou acusados de traição)  e as destinadas (acompanhantes dos homens que foram transformadas em soldadas, combateram, atenderam feridos e recolheram mortos)  as brasileiras eram apenas um bando único pau para toda obra na retaguarda. Essas brasileiras montavam acampamentos, costuravam, capinavam, cavavam trincheiras, cortavam lenha, fabricavam pólvora, produziam munição, abasteciam o acampamento com água e víveres e também prestavam aqui e ali serviços sexuais, mas não tinham direitos nem apoio oficial tais como medicamentos, alimentação, abrigo. Contavam apenas com a boa vontade de alguns poucos oficiais da Guarda Nacional que tinham mais sensibilidade que os militares do exército e lhes davam alguma guarida dentro do possível.   Já as muitas paraguaias engajavam sistematicamente na luta e por isso foram mortas em combate pelo Exército Brasileiro. O exército argentino não deixava que mulheres os acompanhassem e os oficiais ridicularizavam tanto brasileiros como paraguaios por isso. Todavia a tropa argentina via com inveja este exército de saias constituído de argentinas, brasileiras, paraguaias, bolivianas, chinas, índias, negras  que acompanhava os demais batalhões de outras nacionalidades.
Contava José Pedro que muitas dessas mulheres ficaram conhecidas em toda a tropa. E assim as listava:
Florisbela era uma gaúcha da vida que se agregou como soldada no 29º Corpo de Voluntários. Em diversas batalhas ela ficava só um pouco atrás dos soldados e às vezes os municiava ou passava a eles um fuzil quando sua arma travava. Em seus sketches José Pedro retratou sua imagem como “ o anjo da vitória” vestindo um boné de campanha, com seu rosto retorcido coberto da fuligem de pólvora, mãos crispadas segurando um  fuzil onde tremulava a flâmula do Império e deixando à mostra seios voluptuosos que inspiraram e confortaram muitos combatentes.
A pernambucana Maria Curupaiti seguiu o marido no 42º CVP ainda adolescente. No ataque ao forte Curuzu seguiu clandestinamente, travestida com uniforme de algum soldado, contra a ordem do Conde de Porto Alegre, que havia proibido mulheres nesta passagem. Na refrega ela toma armas de caídos e combate e segue junto com o marido até o momento em que ele é morto. Quando caem os muros da fortaleza ela chega a enfrentar e usar  baionetas. No intervalo entre a vitória de Curuzu e o desastre de Curupaiti enterra o corpo o marido e de alguns outros soldados de seu conhecimento. Por fim no avanço sobre o entrincheiramento de  dois quilômetros de extensão, com um fosso de dois metros de profundidade por quatro de largura defendido por parapeitos defensivos de dois metros de altura, abrigando noventa canhões e cinco mil paraguaios ela é ferida, entre os quase quatro mil aliados caídos, e só no hospital de campanha é descoberta sua identidade pelos médicos.
Aninha Gargalha  e Maria Fuzil eram duas prostitutas muito populares na tropa e suas andanças pelos acampamentos à noite eram comuns. Aproveitavam  também para vender víveres, bebida, tabaco, ungüentos e chás de ervas para todos os fins. Mas em situações de combate iam às linhas de frente, apoiavam a soldadesca no municiamento e muitas vezes tiveram que rasgar as saias para garrotear um membro ferido para estancar hemorragias, enquanto embebedavam com cachaça as vítimas, à guisa de anestesiar de forma natural para quando fossem ser tratados no hospital não sentissem as dores dos recursos primitivos da medicina da época . Como eram exímias amazonas foram vistas várias vezes cavalgando vestindo bombachas e transportando feridos para a retaguarda.
José Pedro era, como alguns outros membros da Guarda Nacional, os olhos e ouvidos de Osório que tinha alguma condescendência com as mulheres e podia dar atendimento mais completo que aquele ao alcance dos capitães. Esta confiança surgira pelo valor e destemor de José Pedro no teatro de operações, mas também por sua capacidade de liderança e por interceder pelas mulheres facilitando os encontros dos praças com elas, visando aliviar as tensões pré-combate. Várias vezes ele encaminhou pleitos dessas mulheres que às vezes estavam sofrendo além do normal na situação de guerra. Mas ele se emocionava quase às lágrimas quando falava das crianças que acompanhavam estas mulheres, bem como dos chamados filhos do regimento nascidos durante a guerra.
Nos meus batalhões vi acontecerem duas histórias memoráveis.
Clemencia era uma escrava parda, muito vistosa, que veio com um dos oficiais do exército no 49º que morreu num dos primeiro  embates da guerra.  Quando o 49º  foi extinto,  e José Pedro foi transferido para o 47º  Clemência rogou sua interseção para acompanhar  a sua companhia, já que seu patrão havia morrido e não tinha para onde ir. Lá ela se comprometia a fazer o que estava habituada a fazer: vender tabaco, cachaça, serviços sexuais   “ leves”, ( seja lá o que isto signifique) lavanderia e costura. Era muito alegre e animava os acampamentos às noites em danças e cantorias. Mas quando houve a débâcle de Curupaiti ela decidiu também engajar-se no combate. “Foi a  minha sorte-  disse ele -, pois fui ferido e no calor da luta quem me apareceu e me arrastou para retaguarda foi Clemência, que inclusive foi muito atenciosa em acompanhar meu restabelecimento no hospital”.  “Depois ela decidiu se enrabichar lá com um soldado de outro batalhão e nunca mais a vi”. “Soube que sobreviveu à guerra, tendo filhos e  vivendo até cerca de 80 anos como alforriada lá pelo soldado, na volta para o Brasil, junto com muitos outros libertos.”

Sobrevivência no campo de batalha requer determinação e fortitude, mas sobretudo muita sorte, como José Pedro a possuía em larga escala. Praça Sergipano, caboclo de nome Cristóvão foi para a Guerra levando sua mulher Rozilda parda que passado um tempo ficou prenhe em campanha.  Eles passaram por longo periodo de desenetendimento que acabou provocando a separação. Com isto ela passou a  residir com as mulheres do batalhão e a se entregar a todos de tanta raiva que ficou do ex-marido. Passado um tempo, sendo descuidada, apareceu prenhe sem haver certeza de quem teria sido o pai. Em um dos combates em que caía uma chuva torrencial chegou a notícia de que Cristóvão estava ferido. Rozilda em desespero cavalgou até o campo de batalha com duas colegas da vida que ficaram no acampamento. Lá conseguiu recolher o corpo do marido, mas  quando estava  escapando com a ajuda das amigas foi também baleada e caiu do cavalo. Ali mesmo nasceu Zé Pequeno ou José de Tuiuti, filho do regimento, de quem José Pedro concordou em ser padrinho. Até o fim da guerra este bebê foi criado pelas mulheres do regimento e segundo se soube ficou com uma delas ao fim da guerra que foi viver no Rio Grande do Sul.
 Quanto à vida das paraguaias certamente o sofrimento foi muito mais cruento. Mas dizia ele que este foi o preço justo que este povo pagou por seguir as idéias tresloucadas de um tirano sanguinário que levou seu país à ruína. Ele esperava que esta lição fosse aprendida por outros povos. Mas refletia com prudência: - Se já  não aprenderam  com a derrocada do genocídio napoleônico, de seu delírio destruidor e as conseqüências desastrosas para a França, será que vão aprender alguma coisa com esta guerra aqui neste fim de mundo???





José Pedro preconizava  Ainda a adaptação das regras Mos maiorum dos romanos.
Estas regras deveriam nortear o comportamento  e a ética dos cidadãos  a partir de sua família. 
E assim, dizem que ele orientou sua família até do dia de sua morte.

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