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Cap 5 Continuação 1
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A
Mortalidade nas hostes paraguaias foi enorme deixando inclusive um
desequilíbrio demográfico no país (como é ilustrado abaixo em foto do teatro de operações).![]() |
| Cap. José Pedro Vianna (1844 - 1894) |
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Cadáveres paraguaios após a Batalha de Boquerón, julho
de 1866
(Bate
& Co. W., albumen print, 11 x 18 cm, 1866; Museo Mitre, Buenos
Aires).
Dos cerca de 160 mil brasileiros que combateram na Guerra do Paraguai as melhores estimativas apontam cerca de 50 mil óbitos e outros mil inválidos. Outros ainda estimam que o número total de combatentes pode ter chegado a 400 mil, com sessenta mil mortos em combate ou por doenças.
As forças uruguaias contaram com quase 5.600 homens, dos quais pouco mais de 3.100 morreram durante a guerra devido às batalhas ou por doenças.
Já a Argentina perdeu cerca de 18 mil combatentes dentre os quase 30 mil envolvidos. Outros 12 mil civis morreram devido principalmente a doenças.
Fato é que a Guerra do Paraguai não se diferenciou dos demais conflitos ocorridos durante o século XIX. As altas taxas de mortalidade não foram decorrentes somente por conta dos encontros armados . Doenças decorrentes da má alimentação e péssimas condições de higiene parecem ter sido a causa da maior parte das mortes. Entre os brasileiros, pelo menos metade das mortes tiveram como causa doenças típicas de situações de guerra do século XIX. A principal causa mortis durante a guerra parece ter sido o cólera.
Cronologia da época de José Pedro Vianna
Cuidado com as guerras, pois os pais dos vencidos enterram seus mortos enquanto na Paz os filhos podem enterrar seus pais ( José Pedro Vianna)
1820
· 8/7: Emancipação de Sergipe da Bahia sendo nomeado capitão-mor Carlos César Burlamaqui (consolidação só ocorre em 1824 por D Pedro I).
1844
· Nascimento de José Pedro Vianna em meio a crise no setor sucroalcoleiro em que seu avô e seu pai estão se desfazendo de força de trabalho servil vendendo-os para cafeicultores do Rio de Janeiro e São Paulo.
1845
· Expansão to Theatrinho Popular por Manoel José Vianna.
1847
4/4: Nasce Anna Henriqueta, futura esposa de José Pedro Vianna.
20/11: Anna Henriqueta, futura esposa de José Pedro Vianna, é batizada em Petrópolis
1855
· 17/3 Mudança da capital de Sergipe de São Cristóvão para Aracaju por Inácio Joaquim Barbosa.
1856
· Criado o primeiro Corpo de Bombeiros do Brasil no Rio de Janeiro.
1861
· Incidente de Manoel José Vianna e José Pedro Vianna com um cirurgião militar.
1865
- 7 de janeiro: Criação dos Voluntários da Pátria no Rio de Janeiro. Declaração de guerra a Solano López do Paraguai.
- 27 de janeiro: Batalha de Jaguarão (Guerra do Uruguai).
- 20 de fevereiro: Fim da Guerra contra Aguirre.
- Em março José Pedro Vianna de alista no Corpo de Voluntários da Pátria
- 1 de maio: Brasil, Uruguai e Argentina assinam o Tratado da Tríplice Aliança contra o Paraguai.
- 11 de junho: Batalha Naval do Riachuelo (Guerra do Paraguai).
- 2 de julho Corpo de Bombeiros da Corte passa a integrar o SSPDS do Brasil.
- 10 de julho: D. Pedro II parte para o cenário da guerra.
- 17 de agosto: Batalha de Jataí (Guerra do Paraguai).
- 18 de setembro: Rendição de Uruguaiana na Guerra do Paraguai.
- 23 de setembro: As relações diplomáticas entre o Brasil e a Inglaterra são reatadas.
- 27 de outubro: Os voluntários imigrantes suíços e alemães se alistam para a Guerra do Paraguai.
1866
- 2 de maio: Batalha de Estero Bellaco (Guerra do Paraguai).
- 24 de maio: Batalha de Tuiuti (Guerra do Paraguai).
- 30 de maio a 28 de agosto: As juntas de guerra entre os aliados são convocadas.
- 22 de setembro: Batalha de Curupaiti (Guerra do Paraguai).
- 6 de outubro: Caxias é nomeado para comandante-chefe das tropas brasileiras na Guerra do Paraguai.
- Nas batalhas deste ano Tuiuti, Curuzu e Curupaiti José Pedro Vianna se destacou por sua bravura e em virtude disto mereceu a Ordem da Rosa.
- Neste ano é criada a primeira linha de telégrafo ligando o Rio de Janeiro a Porto Alegre para garantir o fluxo de informação na Guerra do Paraguai.
1867
- 23 de novembro: O Tratado de Ayacucho entre o Brasil e a Bolívia é assinado.
1868
- 5 e 6 de fevereiro José Pedro Vianna participa de reconhecimento de balão em Estero Rojas preparando o campo para passagem de Humaitá.
- 7 a 18 de fevereiro José Pedro é hospitalizado
- 9 de fevereiro: O marechal Luís Alves de Lima e Silva (futuro Duque de Caxias) é nomeado para o comando-geral dos exércitos da Tríplice Aliança.
- 19 de fevereiro: Passagem de Humaitá (Guerra do Paraguai). José Pedro solicita autorização para engajar em combate
- 20 de fevereiro a 16 de maio José Pedro Vianna é hospitalizado para recuperação de ferimentos em combate.
- 18 de julho: A legislatura dos deputados da Câmara Federal é dissolvida por decreto.
- 19 agosto José Pedro Vianna participa de expedição de Humaytá.
- 6 de outubro a 7 de dezembro José Pedro é hospitalizado .
- 9 de outubro: A primeira linha de bondes no país é inaugurada, ligando a rua Gonçalves Dias ao Largo do Machado no Rio de Janeiro.
- 6 de dezembro: O marechal Caxias derrota os paraguaios na Batalha da Ponte de Itororó (Guerra do Paraguai).
- 11 de dezembro: Batalha de Avaí (Guerra do Paraguai).
- 19 de dezembro: Passagem de Humaitá.
1869
- 5 de janeiro: As tropas da Tríplice Aliança entram em Assunção no Paraguai.
- 16 de abril: O Conde D'Eu assume o comando das tropas aliadas.
- 15 de agosto: O Governo Provisório é instalado em Assunção.
- 16 de agosto: Batalha de Acosta Ñu (Guerra do Paraguai).
1870
- 1 de março: Francisco Solano López, presidente do Paraguai, é morto pelo lanceiro brasileiro Chico Diabo após perder a Batalha de Cerro Corá. Fim da Guerra do Paraguai.
- 8 de abril: O tratado de paz é assinado entre Brasil e Paraguai.
- 12 de setembro: A Câmara Federal rejeita por 54 votos a 21 projeto abolicionista de Teixeira Júnior.
- 3 de dezembro: O Manifesto Republicano é publicado pelo primeiro número do periódico A República, no Rio de Janeiro.
1871
- 19 de fevereiro: O Imperial Teatro Dom Pedro II é inaugurado no Rio de Janeiro.
- 25 de maio: Início da primeira Regência da Princesa Isabel.
- 28 de setembro: A Lei do Ventre Livre é aprovada pelo Parlamento e liberta os filhos de escravos nascidos.
1872
- 9 de janeiro: O Tratado Definitivo de Paz e Amizade Perpétua é assinado entre Brasil e Paraguai, dando fim à Guerra do Paraguai.
- 3 de março: Início da Questão religiosa, um conflito ente Igreja Católica e Maçonaria no país.
- 31 de março: Fim da primeira Regência da Princesa Isabel.
- 1 de dezembro: Os deputados da Câmara Federal fogem da febre amarela no Rio de Janeiro.
1873
- 27 de fevereiro: A redação do jornal A República é depredada no Rio de Janeiro.
1874
- 1 de janeiro: O telégrafo submarino entre Rio de Janeiro, Bahia, Pernambuco e Pará é inaugurado.
- 25 de março: A Escola Normal do Rio de Janeiro é criada.
- 25 de abril: O registro civil de nascimentos, casamentos e óbitos no país é criado de maneira formal e generalizada com o decreto número 5604.
1875
- 31 de maio: Chegam ao país os 150 imigrantes italianos com o navio Rivadávia.
- 30 de julho e 17 de setembro: Os índios, que podem ser alistados no exército e na armada, são declarados.
- 2 de agosto: O primeiro número da Gazeta de Notícias é publicado no Rio de Janeiro.
- Setembro: Fim da Questão religiosa.
- Começa o serviço telegráfico entre o Rio de Janeiro e as províncias da Bahia, de Pernambuco e do Pará.
1876
- 26 de março: Início da segunda Regência da Princesa Isabel, aos 30 anos.
- 28 de abril: O escravo negro Francisco é enforcado em praça pública na cidade de Pilar das Alagoas e torna-se a última pessoa a receber a pena de morte no Brasil.
- 25 de junho: Dom Pedro II testando o telefone na Exposição do Centenário, Filadélfia, Estados Unidos exclama diante do inventor Alexandre Graham Bell: Meu Deus, isto fala!.
1877
- 25 de setembro: Fim da segunda Regência da Princesa Isabel.
- 29 de novembro: A primeira estação telefônica do país é inaugurada no Rio de Janeiro, ligando o Palácio de São Cristóvão ao comando do Corpo de Bombeiros no Centro da Cidade.
1878
- Primeira linha interurbana do Braisl e uma das primeiras do mundo é criada interligando o Rio de Janeiro a Petrópolis
- 6 de Abril lançada pelo caricaturista português Rafael Bordalo Pinheiro, a revista O Besouro no Rio de Janeiro, em substituição ao periódico Psit!!! em que abolicionistas como José do patrocínio colaboram.
1879
. 11 de setembro José Pedro Vianna ( 35) se casa Com Anna Henriqueta Linden Raming (32) em Piraí cf Reg SJ Baptista do Arrozal L2 fls n60 e 60v. Ele filho de Manuel José Vianna e Joanna Baptista de Jesus e ela filha de João Henrique Raming e Marianna Linden
1880
- 9 de junho: A Sociedade Brasileira Contra a Escravidão é fundada por Joaquim Nabuco.
- 24 de dezembro: O Clube da Engenharia é fundado no Rio de Janeiro.
- 17 de dezembro: Tráfico dos escravos entre estados é proibido.
1881
- 9 de janeiro: A legislação eleitoral é reformada.
- 10 de dezembro: É fundada a Policlínica Geral do Rio de Janeiro.
- 17 de dezembro: A Biblioteca do Exército é criada pelo conselheiro Franklin Américo de Menezes Dória no Rio de Janeiro.
1882
- x: Nasce Anna Raming filha de José edro e Anna Henriqueta
1883
- 1 de janeiro: A cidade de Acarapé torna-se a primeira a libertar os escravos.
- 7 de junho: Lançado o encouraçado brasileiro Riachuelo ao mar no Rio de Janeiro.
- 30 de setembro: Na cidade de Mossoró, na província do Rio Grande do Norte, a escravidão é abolida graças à iniciativa do comerciante Joaquim Mendes.
- 30 de novembro: A Escola Prática de Torpedos é criada no Rio de Janeiro.
1884
- 14 de janeiro: Nasce a filha de José Pedro e Anna Henriqueta- Joanna.
- 25 de março: O Ceará é o primeiro estado brasileiro a abolir a escravatura.
- 10 de julho: Abolição dos escravos na província do Amazonas.
- 7 de setembro: escravos são libertados em Porto Alegre (Rio Grande do Sul).
1885
- 1 de julho: É inaugurada a Estrada de Ferro do Corcovado no Rio de Janeiro
- 7 de julho: Nasce José Henrique, filho de José Pedro e Anna Henriqueta
- 28 de setembro: É promulgada a Lei Saraiva-Cotegipe, também conhecida como Lei dos Sexagenários, que liberta os escravos no país com mais de 65 anos.
1886
- 14 de fevereiro: A Sociedade Médico-Cirúrgica é fundada no Rio de Janeiro.
- 23 de julho: A República de Cunani, localizada no atual Amapá, é proclamada.
1887
- 24 de junho: José Henrique, Filho de José Pedro e Anna Henriqueta é batizado na Ig S Benedito Barra do Pirai sendo padrinhos descendentes do Visconde de Itaboraí
- x: Nasce Rita Clara filhade José Pedro e Anna Henriqueta.
- 26 de junho: O Clube Militar é fundado no Rio de Janeiro.
- 30 de junho: Início da terceira Regência da Princesa Isabel.
- 20 de outubro: As terras indígenas das aldeias extintas são transferidas ao domínio das províncias.
1888
- 12 de maio: O Câmara dos Deputados aprova a Lei Áurea.
- 13 de maio: Princesa Isabel assina a Lei Áurea, que liberta os 723.719 escravos negros do país.
- 22 de agosto: Fim da terceira Regência da Princesa Isabel.
1894
- 23 de julho falece José Pedro Vianna à Rua Senador Nabuco,93, ás 4 horas com 50 anos de idade. sendo enterrado no Cmeitério S Fco Xavier,Registro Civil da 11a Pretoria Engenho Velho., nr 943 lv de ob.
Não é coincidência que o brasão de Sergipe tenha um balão, tanto no imaginário, quanto na história, seus cidadãos sempre tiveram interesse nesta tecnologia. A Lei nº 02, de 5 de julho de 1892 instituiu o Brasão de Armas de Sergipe. Sua simbologia está representada pelo índio Serigi embarcando em um balão; em seu centro a palavra PORVIR - o futuro. Abaixo do cesto do balão a legenda Sub Lege Libertas - Sob a Lei a Liberdade. Encerrando a faixa a data da primeira Constituição do Estado - 18 de maio de 1892. O índio representa o passado e o balão o futuro e a civilização. O professor Brício Cardoso, amigo da família Vianna e conhecedor do pioneirismo de José Pedro no uso de balões em combate, foi autor do projeto de criação do selo do Estado, tendo considerado o índio – sendo Serigy ou Sergipe – abraçando a civilização, simbolizada pelo aerostato, do brasileiro Bartolomeu de Gusmão. Um de seus filhos, José Pedro Vianna capitão da Guarda Nacional, foi pioneiro no uso de balões para reconhecimento de terreno na guerra do Paraguay. Este brasão veio a substituir o brasão colonial abaixo. (Em escudo redondo português de Gules, um sol dourado com uma face humana no seu centro representando o sol)
Área de ocupação
humana antiga, os primeiros indícios da ocupação do território que hoje
corresponde ao estado de Sergipe são datados no mínimo de 9.000 a.C. A análise dos achados arqueológicos desses povos, como arte rupestre, ossos, cerâmicas e outros artefatos,
permitiu aos historiadores classificá-los em três culturas ou tradições:
canindé, aratu e tupi-guarani. Estes indígenas, eram alguns dos mais avançados
cultural e tecnologicamente do território da colônia portuguesa, foram também alguns
dos primeiros a serem catequizados e se aliarem a eles no combate a Confederação dos Tamoios e participarem das
primeiras uniões interraciais no país.
Um marco arquitetônico desta região é a Casa da Torre – Castelo de
Garcia D’Ávila na Bahia– que por sinal é
o único castelo de estilo medieval da América Latina é considerada também a primeira grande
edificação portuguesa no Brasil. Sua
construção foi iniciada em 1551 pelo latifundiário Garcia D’Ávila (considerado
um dos maiores latifundiários que já existiu no mundo, tendo como área de
propriedade total avaliada em mais de 800.000 Km. Foi concluída no ano de 1624
por seu neto, chamado Francisco Dias D’Ávila. Está localizada no alto de um
morro, com posição estratégica voltada para o mar da Praia do Forte, servindo
como uma casa-fortaleza e também como farol, auxiliando embarcações que
chegavam na costa. A partir desta fortificação Garcia D’Ávila teve importante
papel na conquista e colonização de Sergipe, deflagrando a chamada Conquista de
Sergipe em 1590, apoiado por Tomé de
Souza e por parte de um regimento de Portugal com ordem de D. João III.
Expandiu a criação de gado no território sergipano, facilitando a partir da
Casa da Torre que as missões jesuíticas partissem para catequizar os índios. Cristóvão de Barros, filho de Antonio
Cardoso de Barros, que foi devorado pelos índios caetés juntamente com o bispo Pero
Fernandes Sardinha, nas terras
do hoje Estado de
Sergipe. Em
1566, este fidalgo é enviado pelo rei D.
Sebastião, chegando a Salvador como comandante de uma armada composta por três
galeões (navios a vela armados para transporte de cargas de alto valor). No
início do ano seguinte, janeiro de 1567, atua com o governador geral Mem de Sá,
na defesa da Capitania da investida dos
franceses, auxiliados por seus aliados, os índios Tamoio. Em 1568 com o
governador do Rio de Janeiro, Salvador Correia de Sá, em Cabo Frio, faz guerra
aos Tamoio. Entre 1574 e 1575, Cristóvão de Barros realiza “entrada” (expedição
oficial) contra os Tamoio; escravizando, e depois vendendo, cerca de 10.000
(dez mil) índios feitos prisioneiros na empresa. Na década seguinte (1587)
Cristóvão de Barros repele os corsários ingleses Robert Withrington e Cristhopher
Lister na tentativa de invadir Salvador.
Seu maior feito militar foi a Conquista de
Sergipe, 1589-1590 enquanto membro da Junta Governativa do Brasil, com sede na
Bahia, entre 1587 e 1591, com o Ouvidor Geral Martim Leitão e o Bispo D.
Antônio Barreiros. O comandante, partindo de Salvador, apoiando-se no suporte
estratégico da Casa da Torre, dizimou e escravizou milhares de índios à frente
de uma considerável artilharia e infantaria na “Guerra de Sergipe”. Fundou São Cristóvão, em Sergipe. Mais tarde, recebendo instruções do
reino, criou a Capitania de Sergipe Del Rei.
No quadriênio 1571 a 1575, Cristóvão de
Barros assumiu o governo da Capitania do Rio de Janeiro, realizando feitos
significativos. Ainda como administrador personagem exerceu a função de
Provedor Geral do Brasil, algo como um atual superintendente da Receita
Federal, em 1578, fazendo correição na Capitania de Pernambuco, isto é,
fiscalizando as finanças régias. Duas décadas depois,
após a Conquista de Sergipe (1590), foi Capitão-Mor, senhor de engenho na Bahia
e Rio de Janeiro. Possuidor de extensas
sesmarias em Magé e construtor do 1º engenho do município, nas proximidades do Rio Magepe e próximo ao Morro da Piedade, fez surgir ai o
desenvolvimento de uma nova civilização, vindo a ser o fundador e mantenedor da
integridade do núcleo populacional da futura Magé, com a expulsão, escravidão e
o extermínio da população indígena local. Foi também filantropo como Provedor da Santa Casa
de Misericórdia da Bahia em em 1587 a 1588.
Durante um período
compreendido entre 1630 e 1654, grande parte da atual região Nordeste da região
conquistado aos portugueses pelos holandeses e abrangeu sete das dezenove
capitanias do Brasil à época. Com a União Ibérica, em que Portugal passou a
fazer da parte do Reino Espanhol, a Holanda, que então lutava contra o domínio
espanhol resolveu atacar os domínios e como à Companhia Privilegiada das Índias
Ocidentais (em holandês: Geoctroyerde Westindiche
Compagnie ou GWC) tinham o privilégio da exploração colonial.
Esta Companhia ficou
encarregada de explorar a Colônia, neste período certamente a bandeira da
Companhia tremulava nas colônias nordestinas. A bandeira contava com as letras
iniciais da Companhia em preto, sobre a bandeira da República Holandesa,
conforme demonstram diversas cartas da época. Com a expulsão dos holandeses a
região ficou devastada.
Acima
se vê a Bandeira da Conjuração Baiana também denominada como Revolta dos Alfaiates (uma vez
que seus líderes exerciam este ofício e em cujos planos encontrava-se o da
erradicação da escravidão) e recentemente também chamada de Revolta
dos Búzios. As cores da
bandeira do movimento (azul, branca e vermelha) são
até hoje as cores da Bahia. O ano de 1798
testemunhou a Conjuração Baiana, que
propunha a formação da República Bahiense, que incluia também Sergipe no
território provincial à época - movimento pouco difundido, mas com repressão
superior àquela da Inconfidência Mineira:
seus líderes eram negros instruídos (os alfaiates João de Deus Nascimento, Manuel Faustino dos Santos
Lira e os soldados Lucas Dantas do Amorim Torres e Luís Gonzaga das Virgens)
associados a uma elite liberal (Cipriano
Barata, Moniz
Barreto, Aguilar Pantoja,
membros da Casa da Torre e outros aristocratas), mas
só os populares foram executados, mais precisamente no Largo da Piedade a 8 de
novembro de 1799.
A atual Bandeira do
Estado de Sergipe.
As estrelas simbolizam
seus cinco principais rios:
Serjipe, Vaza-Barris, São Francisco, Poxim e
Cotinguiba.
Nota
sobre a invenção do balão por um brasileiro e seu uso pioneiro por um sergipano
Bartolomeu Lourenço
de Gusmão (1685-1724) foi um sacerdote e inventor brasileiro. Entre suas
experiências estava o primeiro balão construído no mundo. Na sala dos
diplomatas, no Palácio Real, sua invenção foi apresentada ao Rei de Portugal,
D. João V, a fidalgos e funcionários da corte, dizendo ser capaz de guiá-lo e
transportar pessoas, munições e víveres. Ficou conhecido como "O padre
voador" Bartolomeu de Gusmão
(1685-1724) nasceu em Santos, São Paulo. Era filho do cirurgião-mor Francisco
Lourenço Rodrigues e Maria Álvares. O casal teve doze filhos e oito entraram
para vida religiosa. Era irmão do famoso estadista e diplomata Alexandre de
Gusmão. Estudou no Seminário Jesuíta de Belém da Cachoeira, na Bahia, cujo
diretor era o protetor de Bartolomeu e de Alexandre e de quem adotaram o
sobrenome Gusmão. Ordenou-se padre e em 1701 vai para Lisboa onde estudou
Direito Canônico na Universidade de Coimbra e ordena-se Sacerdote. Inicia a
construção de seu balão. Em abril de 1709 pede licença a D João V, para fazer
experiências com o balão, no Palácio Real. Na sala dos diplomatas, D. João V,
fidalgos e funcionários aguardam a apresentação da experiência antes anunciada,
"Um instrumento para andar no ar". De um canto da sala, um pequeno
balão de papel, em forma de pirâmide e com armação de arame, tendo fogo no seu
interior, sobe quatro metros. Era o primeiro aeróstato construído no mundo.
Ficou conhecido como o "Padre Voador". Bartolomeu de Gusmão foi
perseguido pela Inquisição por ser amigo de judeus. Fugiu para a Holanda, onde
fez experiências com lentes. Seguiu para a França, onde vendia nas ruas,
remédios fabricados por ele. Com espírito inquieto, estava sempre inventando
alguma coisa. Formado em Direito, teve atuação nos tribunais, foi membro da
Academia Real de História, cumpriu missões diplomáticas com o apoio do rei D.
João V. Em 1711, Bartolomeu de Gusmão viajou para Roma, numa visita
diplomática; no seu retorno foi nomeado, Secretário dos Estrangeiros. Bartolomeu
de Gusmão sofreu zombaria dos fidalgos e inquisidores,
que viam nas suas invenções obra de feitiçaria. Fugiu novamente, no caminho de Toledo, seguindo para a Espanha, foi acometido por uma febre e morre no dia 18 de novembro de 1724. Sua inventividade teve grande influência no espírito inovador de José Pedro Vianna que via nos ares o futuro da guerra e participou do uso pioneiro de balões no Brasil durante a Guerra do Paraguai, sob as ordens de Caxias.
que viam nas suas invenções obra de feitiçaria. Fugiu novamente, no caminho de Toledo, seguindo para a Espanha, foi acometido por uma febre e morre no dia 18 de novembro de 1724. Sua inventividade teve grande influência no espírito inovador de José Pedro Vianna que via nos ares o futuro da guerra e participou do uso pioneiro de balões no Brasil durante a Guerra do Paraguai, sob as ordens de Caxias.
Uniforme de gala da Guarda Nacional do Império
cujas partes foram guardadas na família por décadas.
As batalhas que deram a ordem da Rosa
a José Pedro Vianna
24/5
1ª Batalha de Tuiuti
|
É considerada pelos historiadores militares como uma das mais importantes batalhas da Guerra da Tríplice Aliança (1864-1870), a maior e mais sangrenta travada na história da América do Sul, tendo confrontado efetivos do Exército paraguaio e forças da Tríplice Aliança.
Após as batalhas do Passo da Pátria e do Estero Bellaco (2 de maio), as forças aliadas, sob o comando do argentino Bartolomeu Mitre avançavam cautelosamente em território inimigo, desconhecido, uma vez que não havia mapas confiáveis sobre o terreno. Do mesmo modo, não se dispunham de informações sobre os efetivos e a disposição das forças inimigas.
A cautela de Mitre conflitava com as diposições dos comandantes das forças brasileiras, que pugnavam por maior rapidez no avanço, compreendendo que a lentidão era danosa ao moral dos soldados, e comprometedora ao prestígio que as tropas em marcha tinham perante o inimigo.
De acordo
com o testemunho de George Thompson, um inglês que lutou como oficial no Exército
paraguaio, Solano
López confiava
em que, nesse momento, uma esmagadora vitória pudesse empurrar o inimigo de
volta ao rio
Paraná,
decidindo a guerra a seu favor. Os seus oficiais, ao contrário, pareciam
céticos quanto à possibilidade de bater um inimigo mais numeroso, em um terreno
mais adequado à defesa, uma vez que os aliados acamparam nos pântanos ao redor do lago Tuiuti. Sem
levar essas ponderações em conta, López reuniu o maior contingente de tropas
que conseguiu, aprontando-o para o ataque.
Detalhe Batalha de Tuiuti,Infantaria em ação
A batalha
iniciou-se por volta das 11 horas, estendendo-se por seis horas1 . O efetivo paraguaio atacou,
distribuído em três colunas: a do centro, com um pouco mais de cinco mil
homens, lançou-se sobre a vanguarda aliada, composta por três batalhões
uruguaios e mais unidades de reforço brasileiras. As alas, cada uma com cerca de
nove mil homens, tentaram realizar uma manobra de cerco sobre o Exército
Imperial brasileiro (à esquerda) e o Exército Argentino (à direita) nos flancos
do acampamento aliado.
Para os
aliados houve surpresa, confusão, ausência do comandante em chefe (General
Mitre), imprevidência; risco de derrota em vários momentos da luta. Porém, com
o recrudescer dos combates e a iniciativa dos diversos escalões (companhias,
batalhões, regimentos e brigadas) — aos poucos a batalha adquire personalidade
própria e se transforma de quase derrota em expressiva vitória, na medida em
que se agiganta a figura do General
Osório,
intervindo diretamente na luta. Na verdade, ele assumiu o comando-chefe da
batalha do Tuiutí; é seu chefe máximo.
A
estratégia paraguaia foi bastante efetiva no innício do conflito. Os cerca de
24 mil soldados, comandados pelos coronéis Marcó, Rojas, Días e Barrios,
atacaram, primeiro, as forças uruguaias comandadas por Venâncio Flores, o
presidente do país. Foram dizimados três batalhões uruguaios. Logo depois, foi
a vez dos Argentinos, chefiados pelo general Bartolomeu Mitre.
Porém, na
vez dos brasileiros, comandados pelo general Francês Emílio Luís Mallet, a
poderosa cavalaria cabocla chegou a ficar a 50 metros das tropas brasileiras,
mas diante deles havia um fosso, que o general mandara cavar, e o fogo da
artilharia dizimou os cavaleiros, que ainda tentaram uma carga desesperada
contra as forças imperiais, mas acabaram sendo rechaçadas.
As
intenções de Lopez eram de cortar o exército aliado ao meio, usando a cavalaria
cabocla, mas suas intenções foram frustradas pela artilharia brasileira,
comandada pelo general Mallet.
Segundo
relato do alferes (e futuro general) brasileiro Dionísio Cerqueira:
Os
batalhões avançavam; a artilharia rugia rápida, a revolver; era um contínuo
trovejar. Parecia uma tempestade. Cornetas tocavam a carga; lanças se
enristavam, cruzavam-se baionetas, rasgavam-se os corpos sadios dos heróis;
espadas brandidas a duas mãos, como os montantes nos pares de Carlos Magno,
abriam crânios, cortavam braços, decepavam cabeças.
|
É um bom
retrato da violência, desespero e selvageria que foi Batalha de Tuiuti. O
alferes também registrou a célebre fala de um soldado sertanejo: "Saiba,
vossa senhoria, sô alferes, que o mato está se avermelhando de caboclos"
ao alertar o oficial da aproximação da cavalaria paraguaia, cujo uniforme era
vermelho.
Consequências
Batalha
de Tuiuti: detalhe do quadro de Cândido López.
A batalha
culminou com uma expressiva vitória dos aliados. As avaliações sobre as perdas
variam de fonte para fonte, mas todas são acordes e enfáticas em apresentar
Tuiuti como um túmulo para o Exército paraguaio. As suas perdas estimadas foram
de seis mil homens, entre oficiais e soldados; os feridos e capturados
ascenderam a mais seis mil homens. Algumas unidades, como o 40° Batalhão de
Infantaria, foram aniquiladas.
Entre os
aliados, as perdas estimadas ultrapassaram os quatro mil homens. No Exército
brasileiro
contavam-se entre 719 e 736 mortos, além de 2.292 feridos. Entre os mortos
encontrava-se o general Antônio
de Sampaio,
comandante da 3a. Divisão de Infantaria. As baixas no Exército Argentino
elevaram-se a 126 mortos e 480 feridos. As do Uruguai, a 133 mortos e 299 feridos.
Soldados uruguaios entrincheirados durante a batalha de Tuiuti.
Embora diante dessa verdadeira tragédia, ao final da batalha os aliados ainda possuíam uma força de combate, ao contrário de López que, dali por diante, nunca mais conseguiu reunir uma força daquela magnitude para combater.
Com a
vitória, as tropas aliadas ficaram firmemente estabelecidas em território
inimigo.
Desde
então sem condições humanas para se bater em campo aberto, a Solano López
restava resistir entrincheirado nas fortificações — Fortaleza de Curupaiti e Fortaleza
de Humaitá —, com a
esperança de poder desgastar as forças inimigas.
Nas
quatro primeiras décadas depois da Guerra do Paraguai, a Batalha de Tuiuti foi
a principal comemoração militar brasileira, considerada a mais importante da
campanha, era rememorada também por ser reconhecida como a mais sangrenta das
batalhas travadas na América do Sul. nas comemorações, destacava-se como
principal herói o general Manuel Luís Osório, comandante das forças brasileiras
agraciado por D. Pedro II com o título de Marquês de Herval, pelos feitos na
campanha.3
3/9
Após a primeira batalha de Tuiuti,
vencida pelos aliados em 24 de Maio
de 1866, o comandante Mitre aproveitou as reservas de dez mil homens trazidos
pelo barão de
Porto Alegre e decidiu atacar as baterias do forte de Curuzu
e do Forte de
Curupaiti, que guarneciam a direita da posição de Humaitá,
às margens do rio
Paraguai. No dia 1° de setembro, as 7:30 da manhã a
esquadra brasileira, com os encouraçados
Bahia, Barroso, Lima Barros, Rio de Janeiro e Tamandaré
na vanguarda, frente ao forte de Curuzu, mais a canhoeira Magé, frente à
ilha do Palmar, junto com os
navios de madeira Greenhalgh, Beberibe, Belmonte, Araguari,
Ipiranga, Parnaíba e Ivaí. O tiroteio entre o forte e os
navios durou 4 horas. Enquanto isso os navios de madeira desembarcavam 800
soldados no chaco, para destruírem a base de onde os paraguaios disparavam brulotes
e torpedos
contra os navios brasileiros. Com o cair da noite o bombardeiro foi suspenso. No
dia seguinte, as 14 horas, o couraçado Rio de Janeiro foi antigido por
torpedos na proa e popa, indo a pique, junto com seu comandante Américo Brasílio Silvado
e mais de 50 combatentes. Uma hora depois o Barão de Porto Alegre, havia já
desembarcado e reunido mais de 8000 homens, entre infantes, cavalarianos,
artilheiros e pontoneiros na Guardia del Palmar.
Apesar de ter encontrado resistência, conseguiu repelir o inimigo e preparar
para o dia seguinte o ataque terrestre. Em 3 de setembro,
o forte, comandado pelo coronel
Jimenez, foi atacado. Os defensores contavam com a vantagem das terras
pantanosas e espeinheiros ao redor do forte. O forte após preparação pela
artilharia, foi conquistado, os paraguaios perseguidos até a proximidade de Curupaiti.
22/9 Curupaity
(derrota aliada)
Animado pela queda do Forte de Curuzú, o 2º Corpo do Exército brasileiro, sob o comando do
General Guilherme Xavier
de Sousa, voltou-se para o o
entrincheiramento de Curupaiti que, como o primeiro, também se constituía
numa defesa avançada da Fortaleza de
Humaitá. Durante os combates por Curuzú e negociações diplomáticas posteriores,
Curupaiti teve as suas defesas reforçadas com um entrincheiramento de cerca de dois quilômetros de extensão, complementado por um fosso de dois metros de profundidade por quatro de largura. A terra retirada
do fosso foi apiloada em parapeitos defensivos de dois
metros de altura, atrás dos quais se distribuíam noventa canhões, cobrindo o lado do rio e o lado de terra,
bem como cinco mil soldados paraguaios. Essa defesa sustentou e rechaçou com
sucesso, em 22 de setembro de 1866, o ataque combinado da esquadra comandada pelo vice-almirante Joaquim Marques
Lisboa
e da infantaria do 2º Corpo do Exército brasileiro,
reforçada com tropas argentinas. O bombardeio da artilharia da Esquadra Imperial mostrou-se incapaz para neutralizar a do
entrincheiramento, protegida vários metros acima das margens do rio, enquanto
que a infantaria se viu retardada
pelo terreno alagado pelas fortes chuvas da estação, onde se ocultavam abatizes, o que a tornou presa fácil do
fogo da artilharia inimiga, resultando na perda de quase quatro mil atacantes
aliados contra 250 defensores paraguaios. Esse desastre aliado em Curupaiti, imobilizou a campanha, e teve importantes
repercussões sobre os seus rumos. O general Venancio Flores retirou-se para Montevidéu após a derrota, e as forças argentinas
passam a ter uma participação menor. A partir de Curupaiti, coube sobretudo ao Império do Brasil continuar a luta do
lado aliado, com pequena participação argentina e apenas simbólica de forças
Uruguaias. A derrota também causou repercussões na opinião pública brasileira, o que
levou à nomeação do marechal-de-campo Luís Alves de
Lima e Silva (1803-1880), então Marquês de Caxias, como comandante-em-chefe do Exército
brasileiro no Paraguai (10 de Outubro de 1866). Caxias
adotou uma estratégia de cerco, isolando o entrincheiramento. Isso levou à sua
evacuação pelos paraguaios e permitiu aos aliados ocupar a posição. Após dois
anos impedindo o progresso das forças aliadas, estas, finalmente, entraram no
entrincheiramento no dia 23 de Março de 1868.
Curupaity
Nas Notas
Históricas de A Quintella e nas ”Memórias de Família” há relatos feitos por
Joanna Raming Vianna Meirelles baseados
em cadernos de anotações de José Pedro Vianna
dos tempos da Guerra de Paraguai. Fragmentos destes relatos são
transcritos em seguida. José Pedro foi
condecorado com a Ordem da Rosa por bravura na prestação de serviços militares nos combates
de 24/5/1866 (Tuiuty), 3 de setembro
(Curuzu) e 22 de setembro (Curupaity).
Com seu hábito de manter caderno
de campo com sketches de mapas, imagens de cenas de guerra e observações deixou algumas recordações raras
e impressões pessoais do teatro de operações.
...Curupaity foi um desastre de proporções épicas. As baixas foram assombrosamente avultadas. Quiçá exagerado otimismo no comando tenha sido um agente causador? Porventura menoscabar o poder defensivo do inimigo tenha suscitado a precipitação no ataque? Seja o que for erramos rotundamente....
...O comando do exército
tinha uma visão equivocada do
entrincheiramento das forças paraguaias. Mesmo assim, contra as ponderações de
diversos membros da Guarda Nacional, os infantes foram lançados leva por leva
numa missão suicida contra um verdadeiro reposteiro horizontal de fogo...
... o inimigo conhecia
melhor o terreno e porque estava entrincheirado no campo parecia uma máquina de
moer e assar brasileiros... Foi o que
disse um dos combatentes.
... Houve um momento de
grande perigo para as forças aliadas. O moral estava baixo. Havia boatos de que
os argentinos ansiavam apenas por liquidar com os poucos negros que tinham,
pondo-os na linha de frente, para deixar o combate...
... Do nosso lado
sub-oficiais e membros da Guarda comçavam a reclamar de qlguns abusos e maus
tratos. Havia uma crônica falta de
suporte no teatro de operações...
Afortunadamente o inimigo estava ainda em piores condições...
Uma noite ouvi das
sombras uma reclamação anônima de uma praça que:
“ ..no dia seguinte não
ia saber para onde atirar, porque a força aliada estava tão cheia de filhos da
puta quanto a foca de Lopez”...
Manter o moral da tropa
foi difícil...
Depois de cada investida
viam-se batalhões inteiros aniquilados. Na assuada a soldadesca já nem sabia os
nomes de seus camaradas mais próximos de tão imundos de sangue e lama. Momentos
havia que não se sabia se o sangue que espirrava era do próprio corpo ou do
combatente ao lado. A saraivada rasante rugia precedida por uma trovoada de
salvas de obus que rasgavam as costas , o ventre e muito freqüentemente os
braços dos homens.
As baixas foram tão
elevadas que isto foi ocultado por muito tempo. Já havia muitos hospitalizados
na retaguarda com ferimentos, pneumonia, febres, diarréias , pé de
trincheira. Com a chegada dos de Curupaity as enfermarias e hospitais de
campanha ficaram saturados.
Várias unidades a que pertenci tinham
sido extintas e só alguns poucos de nós
haviam escapado com vida. Por isso
gozávamos da fama de bravos bafejados pela sorte. Mas as cicatrizes da refrega, o ódio ao
inimigo e a suspeição contra o oficialato por parte dos da Guarda nacional
ficaram profundamente enraizados.
Capítulo 5 Ascendentes de Joanna – seção 5.3 - O pós Guerra
Desmobilização de exércitos é sempre uma tarefa difícil. A desmobilização militar pós Guerra do Paraguay passou por vários problemas, desde o tratamento aos amputados, a solução para os Voluntários da Pátria e os conflitos e tensões entre a nobreza e militares em geral.
Muitos voluntários assumiram postos no governo conforme suas aptidões e ambições. José Pedro Vianna não foi exceção. Tendo em vista seu desempenho exemplar na Guerra ele foi rapidamente incorporado ao Corpo de Bombeiros, que na época era operado pelos militares.
Nos primeiros anos após a guerra José Pedro Vianna ainda encontrou algum tempo para viajar e se recuperar dos traumas de combate. Recursos não lhe faltavam haja vista que não se apressou em se recolocar. Assim encontramos seu nome em várias listas de passageiros algumas das quais reproduzimos em seguida.
Capítulo 5 Ascendentes de Joanna – seção 5.3 - O pós Guerra
Desmobilização de exércitos é sempre uma tarefa difícil. A desmobilização militar pós Guerra do Paraguay passou por vários problemas, desde o tratamento aos amputados, a solução para os Voluntários da Pátria e os conflitos e tensões entre a nobreza e militares em geral.
Muitos voluntários assumiram postos no governo conforme suas aptidões e ambições. José Pedro Vianna não foi exceção. Tendo em vista seu desempenho exemplar na Guerra ele foi rapidamente incorporado ao Corpo de Bombeiros, que na época era operado pelos militares.
Nos primeiros anos após a guerra José Pedro Vianna ainda encontrou algum tempo para viajar e se recuperar dos traumas de combate. Recursos não lhe faltavam haja vista que não se apressou em se recolocar. Assim encontramos seu nome em várias listas de passageiros algumas das quais reproduzimos em seguida.
1)
Lista
de passageiros do vapor Alemão Buenos Ayres (março 1874)
2)
Lista
de passageiros do Vapor Ingles Halley na Rota Liverpool Rio.
Mas seu
espírito impetuoso e inquieto o impelia
para desafios que permitissem usar sua bravura e liderança em benefício da
sociedade. Já em 1874 aos trinta anos
encontra-se em atividade no Corpo de Bombeiros de forma destacada como atestam
diversas manifestações da população na imprensa. Moradores da Rua D Feliciana publicam no
Diario do Rio de Janeiro agradecimento a sua ação no combate ao incêndio da
madrugada do dia 4 de novembro de 1874, idem no incêndio da R S Pedro na Cidade
Nova em 17 de dezembro de 1875, entre outras manisfestações . Sua busca de
reconhecimento público se parece muito com aquelas adotadas um século a frente por executivos de multinacionais.
Caracterizadas por trabalho em equipe, treinamento, avaliação de desempenho, premiação
estratégica, comunicação de reconhecimento. Sua atividade cidadã expressou-se
nesta época quando assumiu o cargo de tesoureiro na Sociedade Beneficente 14 de
março.
O Corpo de Bombeiros que como Força Auxiliar e
Reserva do Exército Brasileiro, integra desde 2 de julho de 1856 o Sistema de Segurança Pública e Defesa
Social do Brasil foi por isso mesmo em suas primeiras décadas integrado exclusivamente por militares. Pois o Decreto Imperial
nº 1.775, assinado por sua Majestade o Imperador Dom Pedro II
reuniu numa só Administração as diversas Seções que até então existiam
para o Serviço de Extinção de Incêndios, nos Arsenais de Marinha e Guerra,
Repartição de Obras Públicas e Casa de Correção, sob a jurisdição do Ministério da Justiça.
Especialmente após a Guerra do
Paraguay militares que se distinguiram em combate foram alocados nos bombeiros
. Desta forma e por este motivo José Pedro Vianna foi servir mais uma vez à
Nação e ao Império, desta vez no Corpo de Bombeiros. Sua motivação, seu senso de dever e espírito de liderança
eram enormes como sempre. Ainda jovem e cheio de idéias inovadoras, algumas das
quais tecnológicas e testadas na Guerra do Paraguay) com cerca de 27 anos ele assume atividades
numa corporação também jovem (fundada em 1856) aberta a experimentar novas
soluções.
Crises Na vida
A condição
de elemento de governo agravou o conteúdo político de problemas internos à
organização militar cuja caracterização oscilava entre o disciplinar e o
político. Em relação a isso, o marco fundamental não é o 15 de novembro, mas o
conjunto de episódios que, na década de 1880,
opuseram
segmentos da Forças Armadas ao Estado imperial e que ficaram conhecidos como
Questão Militar. Um dos problemas então levantados era o direito de se manifestar
pela imprensa, que militares reivindicavam. Consultado, o Conselho Supremo
Militar e de Justiça, órgão encarregado de zelar pela observância dos códigos
disciplinares, lhes deu ganho de causa. i
Não é de
estranhar, portanto, que os primeiros momentos da presença das Forças Armadas
no governo republicano ficassem caracterizados pelo impacto da função política
sobre as normas disciplinares da organização, por sinal baixadas em remotas
épocas do Império. Números de 1886 davam conta de um Exército constituído de
13.500 homens, ao mesmo tempo em que registravam 7.526 prisões por
indisciplina.ii Para julgar
os militares, vigiam códigos portugueses seculares.
Observe-se
que houve, ainda sob a monarquia, quem considerasse esses diplomas legais
inadequados e os discutisse na Assembléia Geral, mas, “quando o Império caiu,
ainda não possuíam as Forças Armadas as leis penais atualizadas.” Um oficial que participou diretamente do
golpe republicano identificou no funcionamento da justiça castrense um dos mais
fortes fatores de desgaste nas relações entre os militares e o Estado imperial:
(...) a
justiça militar, cujos processos devem ser simples, claros e retos, era
entregue aos sofismas e ajeitamentos de uma hermenêutica sutil e às exigências
de um nepotismo impudente, originando-se aí o abatimento do espírito militar
que assistia sobressaltado a controvérsias incabidas e a aplicações especiosas
das leis
(
Fonte: JUSTIÇA MILITAR E ORDEM REPUBLICANA
NO BRASIL: DA LINHA DE
COMANDO
À DEFESA DO ESTADO (1889-1895)
Renato
Lemos Universidade Federal do Rio de Janeiro Laboratório de Estudos sobre os
Militares na Política (LEMP))
A
vida de José Pedro Vianna após a Guerra do Paraguay em virtude de sua passagem
pelo Corpo de Bombeiros é afetada diretamente por essa crise de reivindicação
de liberdade de expressão dos militares na imprensa. Vindo de uma família que
se dedicou a Política e aos Negócios por isso mesmo já tinha o hábito de
valorizar o papel da imprensa na sociedade. Ao assumir as atividades na
corporação dos bombeiros, procurou atuar na sustentação da imagem da mesma por
uma ação pioneira de relações públicas junto à população e à imprensa. A
visibilidade resultante desta ação, baseada e fundamentada em uma competente
nas ações de prontidão e responsividade no combate ao fogo visando salvaguardar
vidas e patrimônios, por um lado resultou em reconhecimento público e de
organizações de seguro, por outro lado despertou inveja e ataques de
autoridades das sombras.
Tanto
seus superiores que foram beneficiados por sua ação criativa de relações
públicas como ele mesmo e vários de seus
colaboradores foram sendo alvo de campanhas internas de sapa ao governo. Por fim estas forças, temerosas do prestígio
pessoal adquirido com o sucesso do trabalho dos bombeiros e da repercussão
crescentemente positiva junto à população e a setores importantes da Corte, dos
empresários nacionais e estrangeiros,
venceram á socapa demitindo sorrateiramente os superiores que apoiavam
esta liberdade de expressão, bem como seus agentes principais como líderes, formadores de
opinião e influenciadores chave. Inicialmente preservado nesta ação destrutiva,
por sua atividade em sociedades filantrópicas e previdenciárias dos bombeiros, José Pedro acaba por sentir-se
isolado e por fim é exonerado após uma brilhante passagem pela corporação.
Após
uma vida no serviço público atuou já enfermo em atividades de jurado junto à
Justiça republicana.
Pg3
Legado cultural de José Pedro Vianna – O poder do indívíduo
Uma das memórias que encontrei
escritas por meu pai (Antonio Ferreira da Silva Quintella) me impressionou pela
admiração e esforço de preservação da memória do avô de minha mãe. Nos fragmentos ele explica a
convergência de interesses de ambos pela civilização romana. Meu pai por ter
ficado órfão de sua mãe Corina com 5 anos (17.10.1908) e de seu pai Ary aos 14
(13.04.1917) foi encaminhado por seus tios para o colégio São Luís e logo
para noviciado em seminário Jesuíta em
Itu. Lá ele se destacou em proficiência no conhecimento de latim, grego e aramaico. Como latinista, é
claro, estudou profundamente a história de Roma e isto o aproximou de José Pedro Vianna, que era freqüentemente
citado pela família Meirelles como admirador de Roma. Certamente o sentimento
de orfandade presente em meu pai, que permeou vários ramos da família, em
virtude das diversas mortes prematuras que ocorriam no século XIX e início do
século XX, foram a motivação oculta na sua psique em promover o culto aos
ancestrais entre seus filhos. Além disto a semelhança encontrada por meu pai
entre os preceitos da Guarda e dos exercícios espirituais de Santo Inácio
conjugados com a Ratio Studiorum foraa mais um motivo de seu interesse pelas
idéias de José Pedro.
O ideal da valorização do
indivíduo e da disciplina encontrados na cultura romana se alinhavam com a
visão jesuítica do mundo de meu pai. Recolhi estes apontamentos sobre os pontos
de acordo entre o pensamento de ambos, meu pai e meu bisavô materno e dei uma
forma estruturada a eles. Creio que isto será um fonte de ensinamento
importante para os jovens em formação, especialmente para os seus descendentes.
Acima - Uma
aquila num vexillóide romano e o brasão adotado por José Pedro após a
queda do Império como uma forma de externar sua lealdade ao Imperador Pedro II.
O símbolo
da águia romana foi importante para os Vianna porque era também o símbolo no brasão que a família decidiu
adotar mesmo sem título de nobreza reconhecido.
Além do treinamento segundo as regras
do Manual da Guarda Nacional do Segundo
Império José Pedro mencionava textos de sua preferência do treinamento e
práticas de excelência do exército romano. As virtudes das águias e sua
importância no imaginário das culturas era sempre recordado em família.
Por isso José
Pedro perseguia o ideal do primus pillus.
Este era o principal centurião da
legião. Só conseguiam este cargo os que demonstrassem virtudes militares na
batalha e habilidade nas intrigas políticas de retaguarda. Como o primus pillus
José Pedro possuía o valor, a determinação, um grande talento organizador
equilibrado por um caráter compassivo. Por
isso tudo, como um verdadeiro centurião ele era respeitado e temido, mas
também querido. Assim diferia dos seus
homólogos romanos por ter conseguido ser apreciado por muitos de seus
comandados e ser eleito por eles para comandos.
Nas diversas ocasiões em que
esteve apenas nos acampamentos de retaguarda ele demonstrou ser profissional
até a medula, o que despertava admiração em meu pai e em vários outros membros
da família. Isto era claramente um modelamento pessoal do espírito e da letra
do praefectus castrorum. Um dos legados culturais deixados por José
Pedro e resgatado pelo talento de meu pai em identificar bons exemplos a serem
seguidos foi o resgate da rotina diária romana, usada por alguns oficiais da
Guarda Nacional ora adaptada para os tempos modernos e exibida mais adiante.
Homo Faber
suae quisque Fortunae
suae quisque Fortunae
Tradução: O
Homem é o artífice de seu destino
Um conto de José
Pedro Vianna sobre a Guerra do Paraguai
–
O repouso do guerreiro são mulheres e bebida
Uma característica de líder bem conhecida na família de José
Pedro Vianna foi a sua interação com o
exército de mulheres que acompanhava tanto os brasileiros como os paraguaios. Havia
de tudo: Esposas,
prostitutas, companheiras, mães, vivandeiras e andarilhas que seguiam a tropa.
Diferentemente das paraguaias que eram de dois tipos as residentas (condenadas
por serem parentes de réus políticos ou acusados de traição) e as destinadas (acompanhantes dos homens que
foram transformadas em soldadas, combateram, atenderam feridos e recolheram
mortos) as brasileiras eram apenas um
bando único pau para toda obra na retaguarda. Essas brasileiras montavam
acampamentos, costuravam, capinavam, cavavam trincheiras, cortavam lenha,
fabricavam pólvora, produziam munição, abasteciam o acampamento com água e
víveres e também prestavam aqui e ali serviços sexuais, mas não tinham direitos
nem apoio oficial tais como medicamentos, alimentação, abrigo. Contavam apenas
com a boa vontade de alguns poucos oficiais da Guarda Nacional que tinham mais
sensibilidade que os militares do exército e lhes davam alguma guarida dentro
do possível. Já as muitas paraguaias engajavam
sistematicamente na luta e por isso foram mortas em combate pelo Exército
Brasileiro. O exército argentino não deixava que mulheres os acompanhassem e os
oficiais ridicularizavam tanto brasileiros como paraguaios por isso. Todavia a
tropa argentina via com inveja este exército de saias constituído de
argentinas, brasileiras, paraguaias, bolivianas, chinas, índias, negras que acompanhava os demais batalhões de outras
nacionalidades.
Contava José Pedro que muitas dessas mulheres
ficaram conhecidas em toda a tropa. E assim as listava:
Florisbela era uma gaúcha da vida que se agregou
como soldada no 29º Corpo de Voluntários. Em diversas batalhas ela ficava só um
pouco atrás dos soldados e às vezes os municiava ou passava a eles um fuzil
quando sua arma travava. Em seus sketches José Pedro retratou sua imagem como “
o anjo da vitória” vestindo um boné de campanha, com seu rosto retorcido
coberto da fuligem de pólvora, mãos crispadas segurando um fuzil onde tremulava a flâmula do Império e
deixando à mostra seios voluptuosos que inspiraram e confortaram muitos
combatentes.
A pernambucana Maria Curupaiti seguiu o marido no 42º CVP
ainda adolescente. No ataque ao forte Curuzu seguiu clandestinamente,
travestida com uniforme de algum soldado, contra a ordem do Conde de Porto
Alegre, que havia proibido mulheres nesta passagem. Na refrega ela toma armas
de caídos e combate e segue junto com o marido até o momento em que ele é
morto. Quando caem os muros da fortaleza ela chega a enfrentar e usar baionetas. No intervalo entre a vitória de
Curuzu e o desastre de Curupaiti enterra o corpo o marido e de alguns outros
soldados de seu conhecimento. Por fim no avanço sobre o entrincheiramento de dois quilômetros de extensão, com um fosso de dois
metros de profundidade por quatro de largura defendido por parapeitos defensivos de dois metros de altura, abrigando noventa canhões e cinco mil paraguaios ela é ferida, entre os quase quatro mil aliados
caídos, e só no hospital de campanha é descoberta sua identidade pelos médicos.
Aninha Gargalha e
Maria Fuzil eram duas prostitutas muito populares na tropa e suas andanças
pelos acampamentos à noite eram comuns. Aproveitavam também para vender víveres, bebida, tabaco,
ungüentos e chás de ervas para todos os fins. Mas em situações de combate iam às linhas de frente,
apoiavam a soldadesca no municiamento e muitas vezes tiveram que rasgar as
saias para garrotear um membro ferido para estancar hemorragias, enquanto
embebedavam com cachaça as vítimas, à guisa de anestesiar de forma natural para
quando fossem ser tratados no hospital não sentissem as dores dos recursos
primitivos da medicina da época . Como eram exímias amazonas foram vistas
várias vezes cavalgando vestindo bombachas e transportando feridos para a
retaguarda.
José Pedro era, como
alguns outros membros da Guarda Nacional, os olhos e ouvidos de Osório que
tinha alguma condescendência com as mulheres e podia dar atendimento mais
completo que aquele ao alcance dos capitães. Esta confiança surgira pelo valor
e destemor de José Pedro no teatro de operações, mas também por sua capacidade
de liderança e por interceder pelas mulheres facilitando os encontros dos
praças com elas, visando aliviar as tensões pré-combate. Várias vezes ele
encaminhou pleitos dessas mulheres que às vezes estavam sofrendo além do normal
na situação de guerra. Mas ele se emocionava quase às lágrimas quando falava
das crianças que acompanhavam estas mulheres, bem como dos chamados filhos do
regimento nascidos durante a guerra.
Nos meus batalhões vi
acontecerem duas histórias memoráveis.
Clemencia era uma
escrava parda, muito vistosa, que veio com um dos oficiais do exército no 49º
que morreu num dos primeiro embates da
guerra. Quando o 49º foi extinto,
e José Pedro foi transferido para o 47º
Clemência rogou sua interseção para acompanhar a sua companhia, já que seu patrão havia
morrido e não tinha para onde ir. Lá ela se comprometia a fazer o que estava
habituada a fazer: vender tabaco, cachaça, serviços sexuais “ leves”, ( seja lá o que isto signifique)
lavanderia e costura. Era muito alegre e animava os acampamentos às noites em
danças e cantorias. Mas quando houve a débâcle de Curupaiti ela decidiu também
engajar-se no combate. “Foi a minha
sorte- disse ele -, pois fui ferido e no
calor da luta quem me apareceu e me arrastou para retaguarda foi Clemência, que
inclusive foi muito atenciosa em acompanhar meu restabelecimento no hospital”. “Depois ela decidiu se enrabichar lá com um
soldado de outro batalhão e nunca mais a vi”. “Soube que sobreviveu à guerra,
tendo filhos e vivendo até cerca de 80
anos como alforriada lá pelo soldado, na volta para o Brasil, junto com muitos
outros libertos.”
Sobrevivência
no campo de batalha requer determinação e fortitude, mas sobretudo muita sorte,
como José Pedro a possuía em larga escala. Praça Sergipano, caboclo de nome
Cristóvão foi para a Guerra levando sua mulher Rozilda parda que passado um
tempo ficou prenhe em campanha. Eles
passaram por longo periodo de desenetendimento que acabou provocando a
separação. Com isto ela passou a residir
com as mulheres do batalhão e a se entregar a todos de tanta raiva que ficou do
ex-marido. Passado um tempo, sendo descuidada, apareceu prenhe sem haver
certeza de quem teria sido o pai. Em um dos combates em que caía uma chuva
torrencial chegou a notícia de que Cristóvão estava ferido. Rozilda em
desespero cavalgou até o campo de batalha com duas colegas da vida que ficaram
no acampamento. Lá conseguiu recolher o corpo do marido, mas quando estava
escapando com a ajuda das amigas foi também baleada e caiu do cavalo.
Ali mesmo nasceu Zé Pequeno ou José de Tuiuti, filho do regimento, de quem José
Pedro concordou em ser padrinho. Até o fim da guerra este bebê foi criado pelas
mulheres do regimento e segundo se soube ficou com uma delas ao fim da guerra
que foi viver no Rio Grande do Sul.
Quanto à vida das paraguaias certamente o
sofrimento foi muito mais cruento. Mas dizia ele que este foi o preço justo que
este povo pagou por seguir as idéias tresloucadas de um tirano sanguinário que
levou seu país à ruína. Ele esperava que esta lição fosse aprendida por outros
povos. Mas refletia com prudência: - Se já
não aprenderam com a derrocada do
genocídio napoleônico, de seu delírio destruidor e as conseqüências desastrosas
para a França, será que vão aprender alguma coisa com esta guerra aqui neste
fim de mundo???
José Pedro preconizava Ainda
a adaptação das regras Mos maiorum dos romanos.
Estas regras deveriam nortear o comportamento e a ética dos cidadãos a partir de sua família. E assim, dizem que ele orientou sua família até do dia de sua morte.
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